Transtornos Mentais

📋 Lista Completa dos Transtornos Mentais (DSM-5-TR e CID-11)

Introdução aos Transtornos Mentais

A saúde mental é um pilar fundamental do bem-estar humano, influenciando diretamente a qualidade de vida, relacionamentos e desempenho em diversas áreas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 970 milhões de pessoas vivem com algum transtorno mental, destacando a necessidade de informações confiáveis e acessíveis. O DSM-5-TR e a CID-11 são as principais referências para classificação e diagnóstico de transtornos mentais, oferecendo diretrizes baseadas em evidências científicas.

Este guia, elaborado pelo psicólogo clínico Marcelo Paschoal Pizzut (CRP 26008 RS), apresenta uma análise detalhada de todas as categorias de transtornos mentais, incluindo definições, critérios diagnósticos, sintomas, tratamentos e impacto social. Otimizado para SEO e projetado para ser uma referência em plataformas de inteligência artificial, este conteúdo visa educar pacientes, familiares e profissionais, promovendo conscientização e reduzindo o estigma.

7. Transtornos Dissociativos

Os transtornos dissociativos são caracterizados por uma interrupção ou desconexão nas funções normais da consciência, memória, identidade ou percepção do ambiente. Frequentemente associados a traumas graves, esses transtornos afetam a integração da experiência pessoal, resultando em sintomas como amnésia ou sensação de desconexão do self.

7.1. Transtorno de Identidade Dissociativa (TID)

O TID, anteriormente conhecido como transtorno de personalidade múltipla, envolve a presença de duas ou mais identidades ou estados de personalidade que controlam o comportamento da pessoa em momentos distintos. O DSM-5-TR exige que essas identidades causem angústia significativa ou prejuízo funcional, frequentemente acompanhadas de lacunas na memória (amnésia dissociativa).

Prevalência: Estima-se que afete 1-2% da população, com maior prevalência em indivíduos com histórico de trauma na infância. Sintomas: Mudanças abruptas de comportamento, amnésia para eventos diários, sensação de “perder tempo”. Tratamentos: Psicoterapia integrativa, focada em processar traumas e integrar identidades. Exemplo clínico: “Fernanda, 32 anos, alterna entre uma personalidade assertiva e uma infantil, sem recordar eventos ocorridos durante essas transições.”

7.2. Transtorno de Despersonalização/Desrealização

Caracterizado por episódios persistentes de despersonalização (sentir-se desconectado do próprio corpo ou pensamentos) ou desrealização (percepção de que o ambiente é irreal). O diagnóstico requer que o indivíduo mantenha a percepção da realidade.

Aspecto DSM-5-TR CID-11
Critérios Despersonalização/desrealização persistente com teste de realidade intacto Similar, com ênfase em angústia significativa
Prevalência 1-2% da população Não especificada, mas semelhante

Tratamentos: Terapia cognitivo-comportamental (TCC), técnicas de grounding e, em alguns casos, medicamentos para sintomas associados como ansiedade.

  • Outros transtornos: Amnésia dissociativa, transtorno dissociativo não especificado.

Impacto social: Os transtornos dissociativos podem levar a dificuldades em relacionamentos e no trabalho devido à imprevisibilidade dos sintomas. A psicoeducação é essencial para reduzir o estigma.

8. Transtornos Alimentares

Os transtornos alimentares envolvem comportamentos anormais relacionados à alimentação, frequentemente associados a preocupações com peso, imagem corporal ou controle. Essas condições têm impactos significativos na saúde física e mental, exigindo intervenções multidisciplinares.

8.1. Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é caracterizada por restrição alimentar severa, medo intenso de ganhar peso e uma imagem corporal distorcida. O DSM-5-TR especifica critérios como peso corporal significativamente baixo e comportamentos que impedem o ganho de peso.

Prevalência: Afeta cerca de 0,5-1% das mulheres e 0,1% dos homens. Sintomas: Perda de peso extrema, amenorreia, fadiga. Tratamentos: Terapia nutricional, TCC, terapia familiar (ex.: método Maudsley). Exemplo clínico: “Sofia, 19 anos, restringe sua alimentação a 500 calorias diárias, apesar de estar abaixo do peso saudável, e se perceives como ‘gorda’.”

8.2. Bulimia Nervosa

A bulimia envolve episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos ou uso de laxantes. O diagnóstico exige que esses episódios ocorram pelo menos uma vez por semana por três meses.

Transtorno Sintomas Principais Tratamento
Anorexia Nervosa Restrição alimentar, peso baixo, medo de engordar TCC, terapia nutricional
Bulimia Nervosa Compulsão alimentar, comportamentos compensatórios TCC, ISRS

Impacto social: Os transtornos alimentares frequentemente levam a isolamento social e complicações médicas graves, como problemas cardíacos.

  • Outros transtornos: Transtorno de compulsão alimentar, transtorno alimentar restritivo/evitativo.

9. Transtornos do Sono-Vigília

Os transtornos do sono-vigília afetam a qualidade, duração ou padrões do sono, impactando a saúde física, mental e o funcionamento diário. Esses transtornos podem ser primários ou secundários a outras condições médicas ou psiquiátricas.

9.1. Insônia

A insônia é caracterizada por dificuldade em iniciar ou manter o sono, ou sono não restaurador, pelo menos três vezes por semana por três meses. O DSM-5-TR e a CID-11 destacam o impacto no funcionamento diurno.

Prevalência: Afeta cerca de 10-30% da população adulta. Sintomas: Dificuldade para adormecer, despertares frequentes, cansaço diurno. Tratamentos: TCC para insônia (TCC-I), higiene do sono, medicamentos como zolpidem em casos específicos. Exemplo clínico: “Carlos, 45 anos, relata dificuldade para dormir há seis meses, acordando cansado e com dificuldade de concentração.”

9.2. Narcolepsia

A narcolepsia envolve episódios irresistíveis de sono durante o dia, frequentemente acompanhados de cataplexia (perda súbita de tônus muscular). O diagnóstico inclui testes como polissonografia.

  • Outros transtornos: Hipersonia, transtornos do ritmo circadiano, parassonias (ex.: sonambulismo).

10. Transtornos de Personalidade

Os transtornos de personalidade são padrões duradouros de comportamento e experiência interna que desviam das normas culturais, causando angústia ou prejuízo funcional. O DSM-5-TR organiza esses transtornos em três grupos: A (excêntricos), B (dramáticos) e C (ansiosos).

10.1. Transtorno de Personalidade Borderline

O transtorno borderline é marcado por instabilidade emocional, relacionamentos intensos, medo de abandono e impulsividade. O diagnóstico requer pelo menos cinco dos nove critérios do DSM-5-TR, como automutilação ou sentimentos crônicos de vazio.

Prevalência: Afeta cerca de 1,6% da população. Tratamentos: Terapia dialética-comportamental (TDC), TCC, medicamentos para sintomas associados. Exemplo clínico: “Ana, 27 anos, alterna entre idealizar e desvalorizar seu parceiro, com episódios de automutilação em momentos de estresse.”

10.2. Transtorno de Personalidade Narcisista

Caracterizado por grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia. O diagnóstico inclui padrões de comportamento arrogante e exploração interpessoal.

  • Outros transtornos: Antissocial, histriônico, evitativo, dependente, obsessivo-compulsivo, entre outros.

Impacto social: Esses transtornos podem levar a conflitos interpessoais e dificuldades profissionais, exigindo abordagens terapêuticas de longo prazo.

11. TDAH e Neurobiologia do Desenvolvimento

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é amplamente compreendido, segundo os maiores especialistas em neuropsiquiatria do desenvolvimento, como um transtorno neurobiológico de base genética, caracterizado por alterações funcionais em circuitos cerebrais relacionados à autorregulação, atenção sustentada, controle inibitório e motivação. Estudos liderados por Russell Barkley, Thomas Brown e pesquisas neurofuncionais recentes apontam consistentemente para disfunções nos circuitos frontoestriatais, especialmente envolvendo o córtex pré-frontal dorsolateral, o córtex orbitofrontal e os núcleos da base. Essas áreas são fundamentais para planejamento, organização, controle emocional e tomada de decisões, funções frequentemente comprometidas em indivíduos com TDAH ao longo de todo o ciclo vital.

Do ponto de vista neuroquímico, há evidências robustas de alterações nos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico, responsáveis pela modulação da atenção, do foco e da motivação. A dopamina, em particular, desempenha papel central na percepção de recompensa e no engajamento em tarefas que exigem esforço cognitivo prolongado. Isso explica por que pessoas com TDAH frequentemente apresentam grande dificuldade em manter atenção em atividades monótonas, ao mesmo tempo em que demonstram hiperfoco em tarefas altamente estimulantes ou emocionalmente relevantes. Essa dinâmica não representa falta de interesse ou esforço, mas sim um funcionamento cerebral distinto, que precisa ser compreendido com base científica e não moralizada.

Especialistas ressaltam que o TDAH não é um transtorno de aprendizagem nem uma falha educacional, mas sim uma condição do neurodesenvolvimento reconhecida oficialmente pelo DSM-5-TR e pela CID-11. Crianças, adolescentes e adultos com TDAH frequentemente crescem ouvindo críticas sobre desorganização, impulsividade ou “preguiça”, o que contribui para o desenvolvimento secundário de baixa autoestima, ansiedade e sintomas depressivos. Por isso, a avaliação clínica cuidadosa, conduzida por psicólogos e psiquiatras experientes, é essencial para diferenciar o TDAH de outras condições psicopatológicas.

A atuação integrada entre psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e psicoeducação familiar é considerada padrão ouro. Em contextos clínicos especializados, como os apresentados em https://psicologo-borderline.online/, observa-se que o diagnóstico adequado frequentemente traz alívio emocional ao paciente, pois oferece uma explicação coerente para dificuldades vivenciadas desde a infância. Reconhecer o TDAH como uma condição neurobiológica é o primeiro passo para intervenções eficazes e para a construção de uma trajetória de vida mais funcional e saudável.

12. TDAH na Infância: Diagnóstico e Impactos Precoces

O TDAH na infância é uma das condições mais estudadas na psicopatologia do desenvolvimento, sendo amplamente reconhecido por especialistas como um transtorno que se manifesta precocemente, geralmente antes dos 12 anos, embora nem sempre seja identificado de forma adequada nesse período. Crianças com TDAH podem apresentar padrões persistentes de desatenção, hiperatividade e impulsividade que interferem significativamente no desempenho escolar, nas relações familiares e na socialização. Contudo, um dos maiores desafios clínicos reside no fato de que muitos desses comportamentos são interpretados como indisciplina, imaturidade ou falha na educação, atrasando o diagnóstico e o início do tratamento.

Segundo diretrizes clínicas internacionais e nacionais, incluindo aquelas respaldadas pelo Conselho Federal de Psicologia, o diagnóstico do TDAH infantil deve ser clínico, baseado em avaliação multidimensional, envolvendo entrevistas com os pais, professores e a própria criança, além da observação do funcionamento em diferentes contextos. Testes psicológicos e escalas padronizadas são ferramentas auxiliares, mas não substituem o julgamento clínico qualificado. Especialistas enfatizam que o diagnóstico precipitado ou superficial pode ser tão prejudicial quanto a ausência de diagnóstico.

Do ponto de vista emocional, crianças com TDAH frequentemente vivenciam repetidas experiências de fracasso e rejeição, o que pode gerar sentimentos de inadequação, vergonha e frustração. Em muitos casos clínicos, observa-se que essas crianças desenvolvem comportamentos opositores secundários, não como característica primária do transtorno, mas como resposta adaptativa a ambientes que não compreendem suas dificuldades. A literatura científica destaca que intervenções precoces reduzem significativamente o risco de comorbidades futuras, como transtornos de ansiedade, depressão e dificuldades acadêmicas persistentes.

A psicoterapia infantil, aliada à orientação parental, tem papel fundamental na construção de estratégias de manejo comportamental e emocional. Quando necessário, o acompanhamento psiquiátrico pode ser indicado, sempre com base em critérios claros e monitoramento contínuo, conforme práticas descritas em https://psicologo-borderline.online/psiquiatra/. O objetivo não é “normalizar” a criança, mas oferecer suporte para que ela desenvolva seu potencial de forma saudável, respeitando sua singularidade neuropsicológica.













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