Causas do Transtorno de Personalidade Borderline: O Que a Ciência Revela em 2025
Por que algumas pessoas desenvolvem o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)? Explore os fatores genéticos, traumas de infância e eventos estressantes que contribuem para esse transtorno complexo, com base nos estudos mais recentes.
Introdução
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, trazendo desafios emocionais profundos e impactando relacionamentos, autoimagem e bem-estar. Mas o que leva alguém a desenvolver esse transtorno? Em 2025, a ciência tem avançado na compreensão das causas do TPB, revelando que ele resulta de uma interação complexa entre fatores genéticos, experiências de vida e ambiente. Este artigo mergulha nessas causas, oferecendo uma visão clara e acessível para quem busca entender o TPB, seja por experiência própria, por um ente querido ou por curiosidade sobre saúde mental.
Embora o TPB seja mais frequentemente diagnosticado em mulheres, ele pode afetar pessoas de todos os gêneros e origens. A maior prevalência em mulheres pode estar ligada a fatores sociais, como a forma como emoções intensas são percebidas culturalmente, mas a pesquisa ainda busca respostas definitivas. O que sabemos é que o TPB não surge do nada — ele é moldado por uma combinação de predisposições biológicas e experiências de vida, muitas vezes marcadas por estresse ou trauma.
Neste guia, exploraremos os principais fatores que contribuem para o TPB, desde influências genéticas até os impactos de eventos traumáticos na infância. Também compartilharemos relatos reais e estratégias para lidar com o sentimento de “por que eu?”, que muitas pessoas com TPB enfrentam. Se você está em busca de respostas ou apoio, este artigo é um ponto de partida para compreender as raízes do transtorno e encontrar esperança para o futuro.

Fatores que Contribuem para o TPB
Não existe uma única causa para o Transtorno de Personalidade Borderline. Em vez disso, ele é o resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais. A ciência moderna sugere que esses elementos interagem de forma única em cada pessoa, criando um caminho específico para o desenvolvimento do transtorno. Vamos explorar os principais fatores envolvidos.
1. Fatores Genéticos
Estudos mostram que o TPB tem uma componente genética significativa. Se você tem um parente próximo — como um pai, mãe ou irmão — com TPB ou outros transtornos de personalidade, suas chances de desenvolver o transtorno são maiores. Isso sugere que genes podem predispor algumas pessoas a dificuldades na regulação emocional, um dos traços centrais do TPB.
No entanto, a genética não é destino. Pesquisadores em 2025 enfatizam que os genes criam uma vulnerabilidade, mas o ambiente desempenha um papel crucial em determinar se essa vulnerabilidade se manifestará como TPB. Por exemplo, uma pessoa com predisposição genética pode nunca desenvolver o transtorno se crescer em um ambiente estável e acolhedor. Por outro lado, experiências estressantes ou traumáticas podem “ativar” essa predisposição, levando ao surgimento dos sintomas.
Um estudo recente publicado na *Journal of Psychiatric Research* (2025) identificou variações em genes relacionados ao sistema serotoninérgico, que regula humor e impulsividade, em pessoas com TPB. Essas descobertas abrem portas para tratamentos mais personalizados no futuro, mas também reforçam a complexidade do transtorno, que não pode ser explicado apenas pela biologia.
“Eu vi meus pais e outros membros da família agirem de forma descontrolada quando criança e achava que isso era normal. Só depois de adulta percebi que esses comportamentos não eram saudáveis, e agora luto para não repetir os mesmos padrões.” — Ana, 32 anos, diagnosticada com TPB.
2. Eventos de Vida Estressantes ou Traumáticos
Experiências difíceis, especialmente durante a infância, estão fortemente associadas ao desenvolvimento do TPB. Traumas como abuso físico, sexual ou emocional, negligência ou a perda de um dos pais podem deixar marcas profundas na forma como uma pessoa regula suas emoções e se relaciona com os outros.
Esses eventos não precisam ser extremos para terem impacto. Mesmo situações menos graves, como crescer em um ambiente onde você frequentemente se sentia invalidado, com medo ou desamparado, podem contribuir para o surgimento do TPB. Por exemplo, viver com um cuidador que enfrentava vícios ou instabilidade emocional pode criar um senso de insegurança que persiste até a vida adulta.
Tipos comuns de experiências traumáticas associadas ao TPB:
- Sentir-se constantemente invalidado ou desamparado na infância.
- Instabilidade familiar, como conviver com um cuidador com dependência química.
- Abuso físico, sexual ou emocional.
- Negligência emocional ou física.
- Perda de um dos pais, seja por morte, divórcio ou abandono.
Essas experiências podem levar ao desenvolvimento de estratégias de enfrentamento disfuncionais, como hipervigilância emocional ou dificuldade em confiar nos outros. Com o tempo, essas estratégias podem se tornar padrões rígidos, contribuindo para os sintomas do TPB, como medo de abandono, impulsividade e instabilidade emocional.
“Por muito tempo, me perguntei ‘por que eu?’. Outras pessoas passaram por coisas piores e parecem estar bem, então por que eu não consigo lidar? Com a terapia, entendi que meus sentimentos são válidos, independentemente do tamanho do trauma.” — Clara, 27 anos, em tratamento para TPB.
É importante notar que nem todas as pessoas com TPB têm um histórico de trauma. Algumas podem desenvolver o transtorno sem experiências claramente traumáticas, sugerindo que outros fatores, como predisposições genéticas ou estresse crônico, também desempenham um papel.
3. A Interação entre Genes e Ambiente
A ciência em 2025 reforça que o TPB é frequentemente o resultado de uma interação entre fatores genéticos e ambientais. Essa interação é conhecida como modelo biossocial, proposto por Marsha Linehan, criadora da Terapia Comportamental Dialética (DBT). Segundo esse modelo, pessoas com uma predisposição biológica para alta sensibilidade emocional são mais vulneráveis a desenvolver TPB quando expostas a ambientes invalidantes ou estressantes.
Um ambiente invalidante é aquele em que as emoções de uma criança são ignoradas, minimizadas ou punidas. Por exemplo, uma criança que chora e é repreendida por “ser fraca” pode aprender que suas emoções são inaceitáveis, levando a dificuldades na regulação emocional na vida adulta. Quando combinado com uma predisposição genética, esse ambiente pode amplificar os sintomas do TPB.
“Cresci em uma casa onde ninguém falava sobre sentimentos. Se eu estava triste, me mandavam ‘engolir o choro’. Hoje, percebo como isso moldou minha dificuldade em lidar com emoções intensas.” — João, 35 anos, diagnosticado com TPB.
Essa interação entre genes e ambiente explica por que o TPB se manifesta de forma diferente em cada pessoa. Algumas podem ter uma predisposição genética forte, mas crescer em um ambiente acolhedor e não desenvolver o transtorno. Outras, com uma predisposição menor, podem enfrentar traumas severos e apresentar sintomas intensos.
O Impacto dos Traumas de Infância
Os traumas de infância merecem uma atenção especial, pois são um dos fatores mais consistentemente associados ao TPB. Estudos mostram que até 70% das pessoas com TPB relatam algum tipo de experiência traumática durante a infância, como abuso, negligência ou instabilidade familiar. Essas experiências moldam a forma como o cérebro processa emoções, relacionamentos e estresse.
Por exemplo, uma criança que cresce em um ambiente onde suas necessidades emocionais são ignoradas pode desenvolver uma crença profunda de que não é digna de amor ou cuidado. Essa crença pode se manifestar na vida adulta como medo intenso de abandono, um dos critérios diagnósticos do TPB. Da mesma forma, o abuso físico ou emocional pode levar a uma hipervigilância emocional, onde a pessoa está constantemente alerta para sinais de rejeição ou perigo.
Os traumas também podem afetar o desenvolvimento do sistema límbico, a parte do cérebro responsável pela regulação emocional. Pesquisas em neuroimagem realizadas em 2025 mostram que pessoas com TPB frequentemente apresentam maior atividade na amígdala, a área do cérebro associada ao medo e à ansiedade, o que pode explicar a intensidade emocional característica do transtorno.
No entanto, é crucial entender que o impacto do trauma varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas podem enfrentar experiências difíceis e não desenvolver TPB, enquanto outras podem ser profundamente afetadas por eventos aparentemente menos graves. Isso reforça a importância de não comparar traumas ou julgar a validade das experiências de alguém.
“Quando recebi o diagnóstico de TPB, fiquei aliviada por finalmente entender por que sentia tudo tão intensamente. Mas também me senti culpada, porque meu trauma não parecia ‘grande o suficiente’. A terapia me ajudou a aceitar que meus sentimentos são reais, independentemente do que os causou.” — Mariana, 29 anos.
E Quando Não Há Trauma?
Embora os traumas sejam comuns em pessoas com TPB, algumas desenvolvem o transtorno sem um histórico claro de eventos traumáticos. Nesses casos, outros fatores, como predisposições genéticas, estresse crônico ou dificuldades emocionais sutis na infância, podem desempenhar um papel central.
Por exemplo, crescer em um ambiente onde as emoções eram evitadas ou mal gerenciadas pode ser suficiente para desencadear dificuldades na regulação emocional, especialmente em pessoas geneticamente vulneráveis. Além disso, eventos estressantes na vida adulta, como términos de relacionamentos, perdas ou crises financeiras, podem exacerbar sintomas pré-existentes, levando ao diagnóstico de TPB.
Essa variabilidade reforça a importância de abordagens personalizadas no tratamento do TPB. Cada pessoa tem uma história única, e compreender as causas específicas do transtorno é essencial para desenvolver um plano de tratamento eficaz.
TPB em Crianças e Adolescentes
Diagnosticar o Transtorno de Personalidade Borderline em crianças e adolescentes é um desafio, pois a personalidade ainda está em formação durante esses anos. As mudanças emocionais e comportamentais típicas da adolescência podem se assemelhar aos sintomas do TPB, tornando o diagnóstico delicado.
No entanto, é possível diagnosticar TPB na adolescência se os sintomas forem persistentes, graves e consistentes com os critérios do DSM-5-TR. Por exemplo, um adolescente que apresenta instabilidade emocional crônica, comportamentos impulsivos e medo intenso de abandono por mais de um ano pode receber o diagnóstico, desde que outras condições, como depressão ou TDAH, sejam descartadas.
Diagnosticar TPB em crianças é ainda mais raro, pois os sintomas podem ser confundidos com problemas de desenvolvimento ou outras condições de saúde mental. No entanto, identificar sinais precoces de dificuldades emocionais é crucial para oferecer intervenções que podem prevenir o agravamento dos sintomas na vida adulta.
Em 2025, programas de intervenção precoce, como a DBT adaptada para adolescentes (DBT-A), têm mostrado resultados promissores. Esses programas ensinam habilidades de regulação emocional e comunicação, ajudando jovens a lidar com suas emoções de forma mais saudável.
“Minha filha foi diagnosticada com TPB aos 16 anos. No começo, foi difícil aceitar, mas a terapia DBT mudou tudo. Hoje, ela entende melhor suas emoções e consegue se comunicar sem explodir.” — Patrícia, mãe de uma adolescente com TPB.
Como Lidar com o Sentimento de “Por Que Eu?”
Receber um diagnóstico de TPB pode trazer alívio, ao dar um nome às dificuldades enfrentadas, mas também pode gerar questionamentos dolorosos, como “Por que eu?”. Muitas pessoas com TPB lutam com sentimentos de culpa ou vergonha, especialmente quando comparam suas experiências com as de outros que parecem ter enfrentado “traumas maiores”.
É importante lembrar que todas as experiências são válidas. Não existe uma “hierarquia” de traumas, e o impacto de uma experiência depende de muitos fatores, incluindo a sensibilidade emocional da pessoa e o contexto em que ela ocorreu. A terapia pode ajudar a processar esses sentimentos, oferecendo ferramentas para aceitar e validar suas emoções.
Estratégias para lidar com o sentimento de “Por que eu?”:
- Psicoeducação: Aprender sobre o TPB ajuda a desmistificar o transtorno e reduz o estigma. Livros como *I Hate You—Don’t Leave Me* (Jerold J. Kreisman) são ótimos pontos de partida.
- Terapia: Terapias como DBT e Terapia do Esquema ajudam a explorar as raízes do TPB e desenvolver estratégias de enfrentamento saudáveis.
- Autocompaixão: Praticar mindfulness e exercícios de autocompaixão pode ajudar a reduzir a autocrítica e promover a aceitação.
- Grupos de apoio: Conectar-se com outras pessoas que vivem com TPB pode reduzir o isolamento e oferecer perspectivas novas.
“A terapia me ensinou que não preciso justificar minha dor. Meus sentimentos são reais, e isso é o suficiente para buscar ajuda.” — Lucas, 30 anos, em tratamento para TPB.
O Que a Ciência Diz em 2025
Em 2025, a pesquisa sobre o TPB está mais avançada do que nunca. Estudos em neurociência, genética e psicologia clínica estão revelando novas informações sobre as causas do transtorno e como tratá-lo. Por exemplo, avanços em neuroimagem mostram que pessoas com TPB têm diferenças na conectividade entre a amígdala e o córtex pré-frontal, áreas do cérebro envolvidas na regulação emocional e na tomada de decisões.
Além disso, ensaios clínicos recentes demonstram que intervenções precoces, como a DBT para adolescentes, podem reduzir significativamente a gravidade dos sintomas a longo prazo. A pesquisa também está explorando o papel da epigenética — como o ambiente pode alterar a expressão de genes — no desenvolvimento do TPB, oferecendo esperança para tratamentos mais direcionados no futuro.
Apesar desses avanços, os pesquisadores reconhecem que ainda há muito a aprender. A complexidade do TPB exige uma abordagem multidisciplinar, combinando psicologia, psiquiatria, neurociência e apoio comunitário. O que está claro é que o prognóstico para o TPB é mais otimista do que nunca, com até 70% dos pacientes apresentando melhora significativa após dois anos de tratamento intensivo, segundo a American Psychological Association (APA).
Conclusão: Compreender para Transformar
Entender as causas do Transtorno de Personalidade Borderline é o primeiro passo para reduzir o estigma e oferecer apoio a quem vive com o transtorno. Seja por fatores genéticos, traumas de infância ou uma combinação de ambos, o TPB é uma condição complexa, mas tratável. Em 2025, com o avanço da ciência e a maior conscientização sobre saúde mental, há mais esperança do que nunca para quem enfrenta esse desafio.
Se você ou alguém que você ama vive com TPB, saiba que não está sozinho. Buscar ajuda profissional, aprender sobre o transtorno e praticar o autocuidado são passos poderosos para transformar a dor em crescimento. O caminho pode ser desafiador, mas com as ferramentas certas, é possível construir uma vida mais equilibrada e significativa.
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