TPB em Homens

Artigo Psicológico — Atualizado Outubro 2025 · Saúde Mental Masculina

Transtorno de Personalidade Borderline em Homens: Por Que Fala-se Tão Pouco?

Homem refletindo sobre saúde mental, representando o TPB masculino
⚠️ Aviso Importante: Este conteúdo aborda temas sensíveis de saúde mental. Se você se sentir sobrecarregado, procure ajuda profissional. O CVV (188) está disponível 24/7. Você não está sozinho.

Fala-se pouco sobre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) em homens devido a uma complexa interação de fatores sociais, culturais e clínicos que distorcem o diagnóstico e a percepção pública do transtorno. Essa invisibilidade tem consequências graves: homens com TPB sofrem em silêncio, enfrentam diagnósticos equivocados e raramente recebem o tratamento adequado. Com base em evidências científicas e 15 anos de prática clínica, este artigo explica por que o TPB em homens é subdiagnosticado, como ele se manifesta de forma diferente e o que pode ser feito para mudar esse cenário, promovendo empatia e apoio para uma população frequentemente negligenciada.


🧠 1. O Estigma de Gênero na Saúde Mental

Por décadas, o TPB foi erroneamente rotulado como um “transtorno feminino”. Essa percepção equivocada tem raízes em:

  • Amostras Clínicas Enviesadas: Estudos iniciais sobre TPB, realizados entre as décadas de 1970 e 1980, focaram majoritariamente em mulheres internadas ou em psicoterapia intensiva, criando uma associação artificial com o gênero feminino.
  • Normas Culturais de Gênero: Comportamentos emocionalmente expressivos, como chorar ou falar sobre sentimentos, são culturalmente associados às mulheres, enquanto homens são socializados para reprimir vulnerabilidade, exibindo força ou estoicismo.
  • Interpretação Distorcida: Quando homens apresentam sintomas borderline, como instabilidade emocional, esses são frequentemente rotulados como “impulsividade”, “transtorno de conduta”, “uso de drogas” ou “agressividade”, desviando o diagnóstico correto.

🧩 2. Diferenças na Expressão dos Sintomas

O TPB em homens pode se manifestar de maneira diferente, dificultando o reconhecimento clínico:

  • Irritabilidade e Raiva: Explosões de raiva são mais comuns em homens com TPB e frequentemente confundidas com transtornos antissociais, em vez de serem vistas como desregulação emocional.
  • Comportamentos Autodestrutivos: Homens tendem a externalizar o sofrimento por meio de abuso de substâncias, direção perigosa ou sexo de risco, em vez de automutilação explícita, comum em mulheres.
  • Internalização do Sofrimento: Por vergonha, muitos homens com TPB transformam o medo de abandono em frieza, isolamento, sarcasmo ou hostilidade, mascarando a dor emocional profunda.

Em resumo: o sofrimento é o mesmo, mas a expressão é moldada por normas culturais, tornando o TPB em homens menos visível.


⚕️ 3. Subdiagnóstico e Diagnósticos Equivocados

Na prática clínica, homens com TPB frequentemente recebem diagnósticos alternativos antes do correto, incluindo:

  • Transtorno Explosivo Intermitente
  • Transtorno de Personalidade Antissocial
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
  • Transtorno do Uso de Substâncias
  • Depressão Maior Atípica

Esses diagnósticos podem coexistir, mas o núcleo afetivo do TPB — instabilidade emocional, medo de rejeição e vazio crônico — é frequentemente ignorado, especialmente devido à falta de treinamento para identificar o TPB em perfis masculinos.


💬 4. Fatores Culturais: O Homem Não “Pode” Ser Vulnerável

Desde a infância, meninos são ensinados a “engolir o choro”, “ser forte” e “não demonstrar fraqueza”. Essas mensagens levam à repressão emocional, dificultando que homens com TPB expressem sentimentos como medo de abandono ou vergonha de forma saudável.

“Engolir o choro”, “ser forte”, “não demonstrar fraqueza”.

O resultado é isolamento, irritabilidade, abuso de substâncias ou comportamentos de risco, frequentemente interpretados pela sociedade como “falta de controle” ou “machismo”. Na verdade, esses são gritos silenciosos de desespero emocional.


🧩 5. Impacto nos Relacionamentos

Homens com TPB vivem relações intensas e conturbadas, alternando entre:

  • Idealizar a parceira (“ela é perfeita, minha salvação”)
  • Desvalorizá-la (“ela me sufoca, me decepcionou”)

O medo intenso de abandono é expresso por meio de controle, ciúme, afastamento ou críticas, e não por pedidos de afeto, levando a rótulos como “instáveis” ou “narcisistas”, quando na verdade buscam proteger-se de uma dor insuportável.


🧬 6. Pesquisas Mais Recentes

Estudos pós-DSM-5 revelam:

  • A proporção de TPB é aproximadamente 60% mulheres / 40% homens, menos discrepante do que se pensava.
  • Em ambientes forenses e de reabilitação, a prevalência em homens pode ser maior.
  • Homens com TPB existem em grande número, mas não são vistos nem tratados adequadamente.

❤️ 7. O Caminho para Mudar Isso

Para transformar esse cenário, é essencial:

  1. Educar Profissionais: Treinar profissionais de saúde mental para reconhecer o TPB em homens.
  2. Desconstruir a Masculinidade Tóxica: Permitir que homens expressem dor e medo sem ridicularização.
  3. Promover Terapias Especializadas: Como Terapia Dialética Comportamental (DBT) e Terapia do Esquema, com eficácia comprovada.
  4. Criar Comunidades de Apoio: Espaços de psicoeducação voltados para homens com TPB.

🕯️ 8. Reflexão Final

Homens com TPB existem, mas muitos estão escondidos atrás de uma fachada de força, sofrendo em silêncio. Eles não são menos sensíveis ou menos humanos — foram ensinados a não demonstrar a dor. Como sociedade, precisamos escutar o sofrimento masculino sem preconceito, com empatia e conhecimento técnico. Porque vulnerabilidade não é fraqueza — é humanidade.

Se você se identifica ou conhece alguém que pode estar sofrendo, agende uma consulta. O primeiro passo para a cura é reconhecer a dor.

Marcelo Paschoal Pizzut
Psicólogo Clínico · Especialista em TPB · CRP 07/26008
Contato: +55 51 99504 7094 · psicologo-borderline.online
Emergência: CVV 188 | Este conteúdo informa, não substitui consulta profissional.

 

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