Transtorno de Personalidade Borderline e o Medo do Abandono:

Quando o Afeto Vira Ameaça: O Medo do Abandono no Transtorno de Personalidade Borderline

Psicoterapia no tratamento do transtorno de personalidade borderlinePsicólogo Especialista em Transtorno BorderlineEles amam com intensidade. Sentem com ferocidade. Mas vivem com medo. Medo de perder. Medo de não serem o suficiente. Medo de serem esquecidos. Para quem vive com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), o medo do abandono não é apenas uma preocupação passageira — é uma dor visceral que transforma cada interação em um teste de lealdade, cada silêncio em uma ameaça, cada olhar em uma potencial rejeição.

Este artigo, com mais de 3,000 palavras, é um guia completo para entender como o medo do abandono molda a vida de pessoas com TPB, explorar sua base neurobiológica e oferecer estratégias práticas, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT), para transformar o afeto em uma fonte de conexão, não de dor. Escrito por Marcelo Paschoal Pizzut, psicólogo clínico e portador de TPB, este conteúdo combina vivência pessoal, ciência e esperança para pacientes, parceiros e familiares.

Por que ler este guia? Se você vive com TPB ou convive com alguém que enfrenta esse transtorno, este artigo oferece insights profundos, histórias reais e ferramentas para construir relacionamentos mais saudáveis e superar o medo do abandono.

1. O Que é o Transtorno de Personalidade Borderline?

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição de saúde mental caracterizada por instabilidade emocional, impulsividade, medo intenso de abandono e relacionamentos interpessoais intensos. Pessoas com TPB vivem suas emoções em extremos, oscilando entre momentos de euforia, tristeza profunda, raiva ou ansiedade, muitas vezes desencadeados por eventos aparentemente triviais.

Os sintomas principais, conforme o DSM-5, incluem:

  • Oscilações de humor: Mudanças emocionais rápidas, que podem durar horas ou dias.
  • Medo de abandono: Esforços desesperados para evitar rejeição, real ou percebida.
  • Impulsividade: Comportamentos como gastos excessivos, automutilação ou decisões arriscadas.
  • Autoimagem instável: Dificuldade em manter um senso consistente de identidade.
  • Vazio crônico: Sensação persistente de que algo está faltando, mesmo em momentos felizes.

Exemplo prático: Ana, de 27 anos, sente um vazio intenso quando seu parceiro sai para trabalhar. Ela teme que ele a deixe, mesmo que ele reafirme seu amor. Essa ansiedade a leva a enviar mensagens repetidas, buscando confirmação constante.

A neurobiologia do TPB explica essas reações. Alterações na amígdala amplificam respostas emocionais, enquanto disfunções no córtex pré-frontal dificultam a regulação de impulsos. A oxitocina, hormônio associado ao vínculo, também funciona de forma irregular, reforçando inseguranças afetivas.

Nota importante: O TPB não é uma falha pessoal. É uma condição tratável, e a terapia pode ajudar a transformar o medo do abandono em confiança emocional.

2. O Medo do Abandono: Uma Dor Visceral

O medo do abandono é o cerne do TPB, descrito no DSM-5 como um esforço desesperado para evitar rejeição, real ou imaginada. Para pessoas com TPB, esse medo é mais do que uma preocupação — é uma sensação física, como um aperto no peito ou um nó no estômago, que surge diante de sinais sutis, como um atraso em uma resposta ou uma mudança de tom.

Estudos de 2024, como um publicado no Journal of Affective Disorders, mostram que a amígdala cerebral de pessoas com TPB apresenta hiperatividade diante de ameaças sociais, mesmo mínimas. Essa hiperatividade faz com que a rejeição seja percebida como um perigo iminente, desencadeando reações intensas como ansiedade, raiva ou desespero.

Fato científico: A amígdala de pessoas com TPB pode ser até 20% mais ativa durante situações de rejeição percebida, comparada a indivíduos sem o transtorno.

Esse medo não é “frescura” — é uma resposta neurobiológica que reflete traumas passados, como negligência ou abandono na infância, moldando um padrão de apego inseguro desorganizado.

“Eu quero tanto ser amada, mas tenho tanto medo de que, se me aproximo, vou acabar machucada de novo.” – Paciente em terapia, 2025.

3. Amor ou Ameaça? A Contradição do Apego no TPB

Pessoas com TPB frequentemente desenvolvem um apego inseguro desorganizado, uma dualidade que as faz desejar proximidade emocional enquanto temem a vulnerabilidade que ela traz. Essa ambivalência cria um conflito interno:

  • “Fica comigo, por favor.” – A necessidade de conexão e validação.
  • “Mas não me machuque de novo.” – O medo de que a proximidade leve à rejeição.

Essa tensão faz com que relacionamentos amorosos, familiares e profissionais sejam intensos e instáveis. Um pequeno gesto, como uma mensagem não respondida ou uma mudança na rotina, pode desencadear uma espiral de emoções, levando a comportamentos impulsivos ou crises emocionais.

Exemplo prático: Lucas, de 30 anos, idealizou sua parceira como a “pessoa perfeita”. Quando ela precisou viajar a trabalho, ele interpretou a distância como abandono, oscilando entre mensagens carinhosas e acusações de desinteresse.

Compreender esse padrão é o primeiro passo para romper o ciclo de medo e insegurança.

4. Testar o Amor: A Autossabotagem Relacional

O medo do abandono muitas vezes leva pessoas com TPB a “testarem” o amor dos outros, inconscientemente buscando provas de lealdade. Esses testes podem incluir:

  • Perguntas repetitivas como “você ainda me ama?”.
  • Comportamentos impulsivos, como discussões intensas ou afastamento súbito.
  • Provocações emocionais, como “se você me amasse, faria isso”.

Esses comportamentos não são manipulação — são tentativas desesperadas de confirmar que o outro não vai embora. No entanto, esses testes frequentemente levam à autossabotagem relacional, afastando as pessoas que mais importam e reforçando o ciclo de abandono.

Exemplo prático: Clara, de 29 anos, terminou um relacionamento após sentir que seu parceiro estava “distante”. Na terapia, ela percebeu que seus “testes” eram tentativas de se proteger do medo do abandono, e aprendeu a comunicar suas inseguranças de forma mais saudável.

A Terapia Comportamental Dialética (DBT) é especialmente eficaz para interromper esse ciclo, ensinando habilidades de comunicação assertiva e regulação emocional.

5. Histórias Reais: A Solidão por Trás do Medo

As vozes de quem vive com TPB revelam a profundidade do medo do abandono. Aqui estão relatos reais de pacientes em terapia:

“Prefiro terminar antes que me deixem. Já perdi amores incríveis porque minha mente me convenceu de que eu não era digna de ser amada.”

“Fico obcecado com a ideia de que minha parceira vai me trair. Não por ciúmes, mas porque acho que ninguém fica comigo por vontade própria.”

“Às vezes, sinto ele me abandonando mesmo estando ao meu lado. É como se meu coração soubesse que vai doer antes de acontecer.”

Esses relatos mostram a solidão crônica e o autoabandono que acompanham o TPB. Apesar da dor, essas histórias também refletem a coragem de quem busca ajuda e transformação.

Exemplo prático: Mariana, de 28 anos, começou a DBT online após crises de ansiedade desencadeadas por mensagens não respondidas. Após 6 meses, ela aprendeu a usar mindfulness para pausar antes de reagir, melhorando seus relacionamentos.

6. A Neurobiologia do Medo do Abandono

Avanços na neurociência afetiva em 2025 esclarecem por que o medo do abandono é tão intenso no TPB. A amígdala, responsável por processar emoções e ameaças, é hiperativa em pessoas com TPB, amplificando a percepção de rejeição. Um estudo de 2024 no Journal of Affective Disorders mostrou que essa hiperatividade ocorre mesmo diante de sinais sutis, como uma mudança de tom ou um atraso em uma resposta.

Além disso, disfunções na oxitocina, o “hormônio do amor”, dificultam a formação de vínculos seguros, enquanto a menor atividade no córtex pré-frontal compromete a regulação emocional. Essas alterações fazem com que o medo do abandono seja não apenas emocional, mas uma experiência física e visceral.

Fato científico: Um estudo de 2025 no American Journal of Psychiatry revelou que a disfunção na oxitocina contribui para a insegurança afetiva em pessoas com TPB, dificultando a confiança nos relacionamentos.

Compreender essas bases neurobiológicas ajuda a desmistificar o TPB e a abordar o transtorno com empatia, em vez de julgamento.

Vídeo explicativo: Entendendo o medo do abandono no TPB.

 

7. Como a Terapia Pode Transformar o Medo em Esperança

A Terapia Comportamental Dialética (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan, é o padrão ouro para o TPB. Ela ensina quatro conjuntos de habilidades essenciais:

  • Tolerância à angústia: Enfrentar crises sem recorrer a comportamentos autodestrutivos.
  • Mindfulness: Focar no momento presente para reduzir pensamentos ruminantes.
  • Regulação emocional: Gerenciar emoções intensas de forma saudável.
  • Eficácia interpessoal: Comunicar necessidades e estabelecer limites claros.

Outras abordagens, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia Baseada na Mentalização (MBT), também são eficazes, ajudando a reformular pensamentos distorcidos e melhorar a compreensão mútua.

Fato científico: Estudos de 2024 mostram que a DBT online reduz comportamentos impulsivos em até 50% após 6 meses de tratamento, com melhorias significativas na estabilidade emocional.

A terapia online torna essas abordagens acessíveis, com sessões a partir de R$50 em plataformas como Psicologia Viva ou Vittude. A flexibilidade de horários e o conforto de casa ajudam a manter a consistência no tratamento.

8. O Papel de Quem Convive com Alguém com TPB

Para parceiros, familiares ou amigos, conviver com alguém com TPB pode ser desafiador. O medo do abandono pode transformar gestos simples em crises emocionais. Para apoiar uma pessoa com TPB, considere estas estratégias:

  • Comunicação clara: Diga explicitamente que está presente, mesmo que precise de espaço. Exemplo: “Eu te amo, mas preciso de um momento para mim.”
  • Evite ambiguidades: Seja direto, mas afetuoso, para reduzir mal-entendidos.
  • Reafirme o vínculo: Use frases como “eu volto” ou “isso não significa que acabou”.
  • Psicoeducação: Aprenda sobre o TPB para desenvolver empatia e paciência.
  • Terapia de casal: Sessões conjuntas podem fortalecer a comunicação.

Exemplo prático: João e sua parceira, que tem TPB, participam de terapia de casal online. Eles aprenderam a usar “pausas conscientes” durante discussões, permitindo que ambos se acalmem antes de continuar.

Compreender que as reações intensas não são pessoais, mas reflexos do transtorno, pode transformar a convivência em uma jornada de apoio mútuo.

9. Desmistificando o Estigma do TPB

O TPB é frequentemente mal compreendido, com rótulos como “manipulador” ou “instável”. Esses estigmas são injustos e ignoram o sofrimento real de quem vive com o transtorno. Pessoas com TPB não estão tentando manipular — elas estão lutando para manter vínculos em um mundo que parece instável.

Em 2025, o ativismo emocional nas redes sociais, como TikTok e Instagram, tem ajudado a humanizar o TPB. Vídeos e fóruns compartilham histórias de superação, mostrando que, com tratamento, o amor no TPB pode ser profundo e transformador.

“Não quero que você fuja de mim, só quero que entenda que às vezes nem eu consigo me entender.” – Paciente em grupo de apoio, 2025.

A psicoeducação, tanto para pacientes quanto para parceiros, é essencial para combater o estigma. Grupos de apoio online oferecem um espaço seguro para compartilhar experiências.

10. Perguntas Frequentes Sobre o TPB e o Medo do Abandono

Por que o medo do abandono é tão intenso no TPB?

A hiperatividade da amígdala e disfunções na oxitocina amplificam a percepção de rejeição, tornando-a uma ameaça visceral.

A terapia pode ajudar a superar o medo do abandono?

Sim, a DBT e outras terapias ensinam habilidades para gerenciar emoções e construir confiança nos relacionamentos.

Como apoiar alguém com TPB durante uma crise?

Seja claro, reafirme seu compromisso e evite ambiguidades. Psicoeducação e paciência são fundamentais.

A terapia online é eficaz para o TPB?

Sim, estudos mostram que a DBT online é tão eficaz quanto a presencial, com taxas de melhora de até 70% em sintomas como impulsividade.

O TPB pode melhorar com o tempo?

Com tratamento consistente, muitas pessoas com TPB experimentam melhorias significativas, vivendo vidas mais equilibradas.

Se você enfrenta o TPB ou ama alguém que vive com esse transtorno, não deixe o medo guiar sua jornada. A terapia online é uma solução acessível e poderosa para começar. Agende uma consulta hoje e descubra como transformar o afeto em uma ponte para o bem-estar emocional.

Por que começar agora? Cada passo em direção ao tratamento é um passo para um amor mais equilibrado e uma vida mais plena.

A leitura do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) a partir de Jacques Lacan oferece uma compreensão profunda do sofrimento psíquico ligado ao medo do abandono, especialmente quando pensamos na constituição do sujeito pelo olhar do Outro. Para Lacan, o sujeito não nasce pronto; ele se constitui na linguagem, no desejo e na relação simbólica com aqueles que o cercam. No TPB, essa constituição é marcada por falhas precoces na simbolização, geralmente associadas a experiências de ausência, inconsistência ou intrusão do Outro primordial. Isso faz com que o sujeito borderline permaneça preso a uma busca incessante por reconhecimento e validação, tentando preencher uma falta estrutural que nunca se satisfaz plenamente. O abandono, nesse contexto, não é apenas a perda de alguém, mas a vivência de um colapso subjetivo, como se o próprio eu deixasse de existir. Essa lógica ajuda a entender por que pequenas separações ou frustrações são sentidas como catástrofes emocionais. A clínica lacaniana, ao trabalhar com pacientes que apresentam esse quadro, não busca eliminar a falta, mas ajudar o sujeito a simbolizá-la, reconhecendo que o desejo do Outro é sempre enigmático. Esse processo pode ser favorecido em contextos terapêuticos especializados, como os oferecidos em psicologo-borderline.online, onde a escuta clínica é orientada para além do sintoma manifesto, acolhendo a singularidade do sofrimento.

Um conceito central em Lacan que dialoga intensamente com o TPB é o do Estádio do Espelho. Nesse momento estrutural, o sujeito constrói uma imagem de si a partir do olhar do Outro, formando o eu (moi) como uma identificação imaginária. Em pessoas com TPB, essa imagem tende a ser frágil, instável e altamente dependente da confirmação externa. Quando o Outro se afasta, silencia ou frustra, a imagem de si entra em colapso, gerando sentimentos intensos de vazio, raiva ou desespero. Essa fragilidade do eu explica a oscilação entre idealização e desvalorização nos relacionamentos, tão comum no TPB. O parceiro, o terapeuta ou até amigos passam a ocupar o lugar de espelho regulador da identidade. Qualquer falha nesse espelhamento é vivida como rejeição absoluta. Do ponto de vista clínico, o trabalho terapêutico envolve sustentar a transferência sem ocupar o lugar de completude, permitindo que o sujeito reconheça sua própria falta e construa uma imagem de si menos dependente do olhar alheio. Esse tipo de abordagem exige formação e experiência clínica, como a oferecida por um psicólogo especialista em TPB, capaz de manejar as intensas demandas afetivas sem reforçar a dependência simbólica.

Outro ponto essencial da teoria lacaniana aplicada ao TPB é a noção de desejo do Outro. Para Lacan, o desejo humano é sempre o desejo do Outro, ou seja, desejamos ser desejados. No TPB, essa lógica aparece de forma exacerbada: o sujeito vive em função de garantir que ocupa um lugar privilegiado no desejo do Outro. O medo do abandono surge quando esse lugar é percebido como ameaçado. Mensagens não respondidas, mudanças de rotina ou limites saudáveis podem ser interpretados como sinais de exclusão simbólica. Essa leitura não é racional, mas estruturada no inconsciente. A clínica, nesse sentido, busca deslocar o sujeito da posição de objeto do desejo do Outro para a possibilidade de se reconhecer como sujeito desejante. Esse movimento é lento e exige que o paciente tolere a frustração e a ambiguidade, algo extremamente difícil no início do tratamento. A psicanálise, quando bem conduzida, ajuda o indivíduo a suportar a falta sem recorrer a atuações impulsivas. Esse trabalho clínico é complementar a abordagens contemporâneas e pode ser integrado a um plano terapêutico mais amplo, sempre respeitando diretrizes éticas como as do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Lacan também contribui para a compreensão do TPB ao diferenciar os registros do Real, do Simbólico e do Imaginário. No TPB, observa-se frequentemente uma dificuldade de simbolização, fazendo com que experiências emocionais intensas invadam o sujeito no registro do Real, sem mediação simbólica suficiente. Isso explica por que a dor emocional é descrita como física, insuportável e urgente. O medo do abandono não é apenas pensado; ele é sentido no corpo. A função da psicoterapia, nesse contexto, é fortalecer o registro simbólico, ajudando o paciente a nomear afetos, construir narrativas e dar sentido à experiência. Quando o sofrimento pode ser colocado em palavras, ele deixa de ser vivido apenas como angústia pura. Esse processo é fundamental para reduzir comportamentos impulsivos e autodestrutivos. A escuta clínica lacaniana valoriza o discurso do paciente, permitindo que ele encontre significantes próprios para sua história. Para quem busca compreender melhor esse processo terapêutico, conteúdos informativos disponíveis em sobre o trabalho clínico podem ajudar a desmistificar o tratamento e reduzir resistências iniciais.

A transferência, conceito central em Lacan, assume um papel decisivo no tratamento do TPB. Pacientes borderline tendem a estabelecer transferências intensas, muitas vezes marcadas por idealização extrema ou desvalorização abrupta do terapeuta. Essas oscilações reproduzem, no setting terapêutico, as mesmas dinâmicas relacionais vividas fora dele. Longe de ser um problema, isso é uma oportunidade clínica valiosa. Ao invés de interpretar de forma direta ou confrontativa, o analista lacaniano sustenta a transferência, permitindo que o sujeito perceba seus próprios padrões de vínculo. Com o tempo, o paciente começa a reconhecer que o terror do abandono está menos ligado ao outro real e mais à sua própria história psíquica. Esse insight não acontece de forma intelectual, mas vivencial, ao longo do processo. A clínica online, quando bem estruturada, também permite esse tipo de trabalho, ampliando o acesso ao cuidado psicológico, inclusive por meio de comunidades terapêuticas e espaços de apoio como o grupo de apoio no WhatsApp, que pode complementar o tratamento individual.

Do ponto de vista lacaniano, é importante compreender que o TPB não se resume a um conjunto de sintomas, mas a uma posição subjetiva diante da falta e do desejo. Muitos pacientes chegam à terapia perguntando se “têm algo quebrado” ou se são “emocionalmente defeituosos”. A psicanálise oferece uma leitura menos patologizante, entendendo o sofrimento como uma tentativa, ainda que dolorosa, de lidar com experiências precoces de desamparo. Ao invés de buscar uma normalização forçada, o trabalho clínico visa permitir que o sujeito construa um modo singular de estar no mundo, com menos sofrimento. Esse processo pode ser potencializado quando o paciente também busca informação qualificada, como testes de triagem e conteúdos psicoeducativos, a exemplo do teste online de sinais de TPB, que não substitui o diagnóstico clínico, mas ajuda na conscientização e na busca por ajuda adequada.

A articulação entre psicanálise lacaniana e saúde pública também é relevante. Embora Lacan não tenha trabalhado diretamente com políticas de saúde, sua teoria contribui para práticas clínicas mais humanas e menos reducionistas. O TPB, quando tratado apenas sob uma ótica biomédica, corre o risco de ser reduzido a impulsividade ou instabilidade, ignorando a dimensão subjetiva do sofrimento. A integração entre psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico, quando necessário, oferece melhores resultados. Essa visão integrada é defendida por instituições como o Ministério da Saúde e amplamente discutida em bases científicas como a SciELO Brasil, que publicam estudos atualizados sobre saúde mental, psicoterapia e transtornos de personalidade.

Por fim, pensar o TPB com Lacan é reconhecer que o medo do abandono não será simplesmente eliminado, mas pode ser transformado. Quando o sujeito aprende a sustentar a falta sem se desorganizar, algo novo se torna possível: relações menos marcadas pelo desespero e mais pela escolha. A clínica não promete felicidade constante, mas oferece ferramentas simbólicas para lidar com a angústia de forma menos destrutiva. Esse caminho exige tempo, compromisso e uma escuta clínica qualificada. Para quem deseja iniciar ou aprofundar esse processo, buscar informações claras sobre regras, ética e funcionamento do atendimento psicológico é fundamental, como as disponíveis em regras do atendimento ou entrar em contato direto pelo canal de contato. A psicanálise, quando bem aplicada, não apaga a dor, mas ajuda o sujeito a não ser governado por ela.

Conclusão: Transformando o Afeto em Conexão

Para quem vive com o Transtorno de Personalidade Borderline, o medo do abandono pode transformar o afeto em uma ameaça constante. No entanto, com terapia, autoconhecimento e relacionamentos conscientes, é possível reescrever essa narrativa. O amor não precisa doer para ser verdadeiro, e a Terapia Comportamental Dialética (DBT) oferece ferramentas para construir conexões mais seguras e significativas.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima
Verified by MonsterInsights