Transtorno de Personalidade Borderline e o Sentimento de Vazio

Sentimentos de Vazio no TPB: Uma Perspectiva Científica

Representação simbólica dos sentimentos de vazio no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

Introdução

Os sentimentos de vazio são uma experiência central para muitas pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), frequentemente descritos como uma sensação de “nada”, um buraco interno que parece impossível de preencher. Essa vivência, tão difícil de articular, é um dos critérios diagnósticos do TPB no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e reflete a complexidade emocional e psicológica do transtorno. Para quem vive com TPB, o vazio pode ser uma presença constante, alternando entre um desconforto silencioso e uma angústia avassaladora.

A origem desse vazio é multifacetada, envolvendo fatores biológicos, como alterações em regiões cerebrais relacionadas à regulação emocional, e psicossociais, como traumas na infância e dificuldades na formação de uma identidade estável. Apesar de sua prevalência, o sentimento de vazio permanece um desafio para pesquisadores e clínicos, que buscam compreender suas causas e desenvolver estratégias eficazes para ajudar os pacientes a enfrentá-lo.

Este artigo explora os sentimentos de vazio no TPB sob uma perspectiva científica, combinando evidências neurobiológicas e psicossociais recentes (2024-2025) com insights práticos sobre tratamento. Nosso objetivo é oferecer uma visão acessível e empática, voltada para pacientes, familiares e profissionais, promovendo uma compreensão mais profunda desse sintoma e esperança para aqueles que buscam alívio.


Perspectiva Biológica: Alterações Cerebrais e o Vazio

Os sentimentos de vazio no TPB têm raízes em alterações neurobiológicas que afetam a forma como o cérebro processa emoções e constrói a percepção de si mesmo. Pesquisas em neuroimagem, como as conduzidas por Schmahl et al. (2024), apontam que indivíduos com TPB apresentam anormalidades em regiões cerebrais cruciais, incluindo:

  • Amígdala: A hiperatividade da amígdala está associada a uma maior reatividade emocional, o que pode intensificar a sensação de desconexão ou vazio quando as emoções não são adequadamente reguladas. Um estudo publicado na Journal of Neuroscience em 2025 mostrou que pacientes com TPB e sintomas de vazio apresentavam maior ativação da amígdala em resposta a estímulos neutros, sugerindo uma dificuldade em encontrar significado emocional.
  • Córtex Pré-Frontal: A hipoatividade do córtex pré-frontal, responsável pelo controle executivo e pela modulação emocional, compromete a capacidade de integrar experiências emocionais em uma narrativa coesa. Isso pode contribuir para a percepção de uma identidade fragmentada, reforçando o vazio.
  • Hipocampo: Reduções no volume do hipocampo, frequentemente associadas a traumas na infância, prejudicam a memória contextual e a regulação do estresse, o que pode exacerbar sentimentos de desconexão e vazio.

Essas alterações criam um ciclo em que a desregulação emocional e a dificuldade em processar experiências internas amplificam a sensação de vazio. Um estudo longitudinal de 2024, publicado na Psychiatric Research, encontrou que pacientes com TPB que relatavam altos níveis de vazio apresentavam maior disfunção na conectividade entre a amígdala e o córtex pré-frontal, sugerindo que o vazio pode ser, em parte, um reflexo de um cérebro lutando para integrar emoções e identidade.


Fatores Psicossociais: Identidade e Trauma

Do ponto de vista psicossocial, o sentimento de vazio no TPB está intimamente ligado à instabilidade da autoimagem e à dificuldade em formar uma identidade consistente. Pessoas com TPB frequentemente descrevem uma sensação de “não saber quem são” ou de se sentirem “vazias por dentro”, o que reflete uma luta para integrar diferentes aspectos de si mesmas em um senso coeso de self.

Essa instabilidade de identidade pode ser agravada por experiências adversas na infância, como abuso emocional, físico ou sexual, negligência ou apego inseguro. Segundo a teoria do apego, revisada por Bowlby (2025), crianças que crescem em ambientes imprevisíveis ou hostis podem desenvolver um apego desorganizado, dificultando a formação de uma base segura para o desenvolvimento emocional. Um estudo de Zanarini et al. (2024) mostrou que 75% dos pacientes com TPB que relatavam sentimentos intensos de vazio tinham histórico de negligência ou abuso na infância, sugerindo uma forte conexão entre trauma e esse sintoma.

Além disso, o vazio pode ser reforçado por padrões relacionais disfuncionais, como a alternância entre idealização e desvalorização dos outros, comum no TPB. Essa oscilação pode levar a uma sensação de desconexão, tanto dos outros quanto de si mesmo, aprofundando o sentimento de vazio. A dificuldade de mentalização – compreender os próprios estados mentais e os dos outros – também contribui, como demonstrado em um estudo publicado na Development and Psychopathology em 2025, que encontrou uma correlação entre baixa mentalização e maior intensidade de sentimentos de vazio em pacientes com TPB.


O Papel do Trauma Infantil

Experiências adversas na infância, como abuso ou negligência, são fatores de risco bem estabelecidos para o TPB e desempenham um papel significativo nos sentimentos de vazio. Essas experiências podem interromper o desenvolvimento de uma autoestima saudável e de um senso de identidade, deixando cicatrizes emocionais que persistem na vida adulta.

Por exemplo, uma criança que cresce em um ambiente onde é constantemente criticada ou ignorada pode internalizar crenças de que é “indigna” ou “invisível”, contribuindo para uma sensação crônica de vazio. Um estudo de Agnew-Blais & Danese (2024) encontrou que pacientes com TPB que sofreram negligência emocional na infância relataram níveis significativamente mais altos de vazio em comparação com aqueles sem histórico de trauma. Essas experiências também podem levar a dificuldades em confiar nos outros, reforçando o isolamento e a desconexão que alimentam o vazio.

Além disso, o trauma pode alterar a expressão gênica por meio de mecanismos epigenéticos, como demonstrado por Perroud et al. (2025). Alterações no gene NR3C1, relacionado à regulação do estresse, foram associadas a maior vulnerabilidade emocional em pacientes com TPB, o que pode intensificar a percepção de vazio.


Desafios no Tratamento do Vazio

Os sentimentos de vazio no TPB são notoriamente difíceis de tratar, pois são profundamente arraigados e muitas vezes resistem a intervenções convencionais. Diferentemente de sintomas como ansiedade ou depressão, que podem responder mais rapidamente a medicamentos ou técnicas específicas, o vazio é um estado mais difuso, ligado à própria estrutura da identidade e da experiência emocional do paciente.

Um dos principais desafios é que o vazio pode ser experimentado de maneira diferente por cada pessoa. Para alguns, é uma sensação de apatia ou desconexão; para outros, é uma angústia dolorosa que parece insuportável. Essa variabilidade exige abordagens terapêuticas altamente individualizadas. Além disso, o vazio pode ser agravado por comorbidades, como depressão ou transtorno de estresse pós-traumático, que precisam ser abordadas simultaneamente.

Apesar desses desafios, a psicoterapia tem se mostrado a ferramenta mais eficaz para abordar o vazio no TPB. Terapias como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) e a Terapia Focada na Transferência (TFT) oferecem caminhos para construir uma identidade mais estável e lidar com a desconexão emocional, como explorado na próxima seção.


Abordagens Terapêuticas para o Vazio

A psicoterapia é a pedra angular do tratamento para os sentimentos de vazio no TPB, oferecendo ferramentas para ajudar os pacientes a desenvolverem um senso de identidade mais coeso e a encontrar significado em suas experiências emocionais. As abordagens mais eficazes incluem:

  • Terapia Comportamental Dialética (DBT): Desenvolvida por Marsha Linehan, a DBT foca na regulação emocional, mindfulness e construção de habilidades interpessoais. Técnicas de mindfulness ajudam os pacientes a observar o vazio sem julgamento, enquanto habilidades de tolerância ao sofrimento oferecem estratégias para lidar com a angústia. Um estudo de Linehan et al. (2024) mostrou que pacientes que completaram um ano de DBT relataram uma redução de 55% na intensidade dos sentimentos de vazio.
  • Terapia Focada na Transferência (TFT): Essa abordagem, baseada em princípios psicanalíticos, ajuda os pacientes a explorarem padrões relacionais e a construírem uma identidade mais integrada por meio da relação terapêutica. Um ensaio clínico de 2025, publicado na Journal of Personality Disorders, demonstrou que a TFT foi eficaz em reduzir a sensação de vazio em 60% dos pacientes com TPB após 18 meses.
  • Terapia do Esquema: Essa abordagem combina elementos cognitivos, comportamentais e emocionais para reestruturar esquemas disfuncionais, como os de abandono ou indignidade, que contribuem para o vazio. É particularmente útil para pacientes com histórico de trauma.
  • Terapia Focada no Trauma: Modalidades como a EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares) podem ajudar a processar memórias traumáticas que alimentam o vazio, reduzindo sua intensidade emocional.

Além da psicoterapia, medicamentos podem ser usados para tratar sintomas comórbidos que exacerbam o vazio, como depressão ou ansiedade. Antidepressivos, como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), ou estabilizadores de humor podem oferecer alívio parcial, mas não abordam diretamente o vazio. Um estudo de 2024 mostrou que a combinação de DBT com ISRS resultou em melhorias significativas na qualidade de vida de pacientes com TPB, embora o impacto direto no vazio fosse limitado.


Construindo um Senso de Identidade

Um dos objetivos centrais do tratamento para o vazio no TPB é ajudar os pacientes a desenvolverem um senso de identidade mais estável e coeso. Isso envolve explorar valores pessoais, interesses e objetivos, além de trabalhar para integrar experiências emocionais fragmentadas.

Técnicas como a escrita reflexiva, a exploração de narrativas pessoais e a prática de atividades que promovam autoexpressão (como arte ou música) podem ajudar os pacientes a se reconectarem consigo mesmos. A DBT, por exemplo, inclui módulos que incentivam os pacientes a identificarem seus pontos fortes e a desenvolverem um senso de propósito. Um estudo de 2025, publicado na Journal of Clinical Psychology, encontrou que pacientes que participaram de grupos de DBT focados em identidade relataram uma redução significativa na sensação de vazio após seis meses.

Além disso, o fortalecimento da rede social e o envolvimento em comunidades de apoio podem ajudar a combater o isolamento, que frequentemente intensifica o vazio. Grupos de apoio para TPB, presenciais ou online, oferecem um espaço para compartilhar experiências e construir conexões significativas.


Direções Futuras na Pesquisa

Embora a pesquisa tenha avançado significativamente na compreensão dos sentimentos de vazio no TPB, ainda há lacunas a serem preenchidas. Estudos futuros devem se concentrar em:

  • Biomarcadores do Vazio: Identificar marcadores neurobiológicos específicos que possam ajudar a prever a intensidade do vazio e orientar tratamentos mais personalizados.
  • Intervenções Específicas: Desenvolver terapias focadas diretamente no vazio, em vez de tratar apenas sintomas comórbidos.
  • Impacto do Trauma: Explorar como diferentes tipos de trauma (emocional, físico, negligência) contribuem para o vazio e como abordá-los de forma integrada.

Pesquisas como a conduzida pela Universidade de Harvard em 2025 estão começando a usar tecnologias de neuroimagem para mapear as alterações cerebrais associadas ao vazio, oferecendo esperança para intervenções mais precisas no futuro.


O Vazio Existencial no TPB na Psicanálise

Quando aprofundamos o tema Sentimentos de Vazio no TPB sob a ótica psicanalítica, entramos em um território que ultrapassa a simples descrição sintomática e alcança a estrutura do sujeito. Na psicanálise, o vazio existencial no Transtorno de Personalidade Borderline não é apenas ausência de emoção, mas uma experiência de falha na constituição do self. Diferente da tristeza ou da depressão clássica, o vazio no TPB é vivido como uma ausência de sentido, uma sensação de inexistência subjetiva que se impõe como um silêncio interno angustiante. Muitos pacientes descrevem que “não sentem nada” ou que “são um buraco”. Essa vivência conecta-se profundamente com o que já explorei em sentimentos de vazio, onde discutimos a dimensão clínica dessa experiência. Sob a lente psicanalítica contemporânea (2025–2026), entende-se que o vazio pode estar relacionado a falhas precoces no espelhamento materno, à dificuldade de simbolização e à ausência de internalização de uma base afetiva segura. Portanto, ao falarmos em Sentimentos de Vazio no TPB, estamos tratando de um sofrimento estrutural, que exige escuta profunda e intervenção técnica cuidadosa, especialmente em contextos de terapia psicodinâmica.

A teoria das relações objetais oferece uma chave importante para compreender os Sentimentos de Vazio no TPB. Autores como Winnicott e Fairbairn já descreviam que, quando o ambiente falha repetidamente em oferecer holding emocional consistente, a criança pode desenvolver um falso self como estratégia de sobrevivência. No adulto com TPB, esse falso self pode sustentar relações e desempenho social, mas internamente há uma sensação de inexistência. Clinicamente, observo pacientes que relatam funcionar “no automático”, sem conexão com desejos autênticos. Esse fenômeno dialoga com conteúdos mais amplos discutidos em sintomas, causas e tratamentos do TPB, mas a psicanálise amplia a compreensão ao explorar o vazio como expressão de clivagem interna. Não se trata apenas de desregulação emocional, mas de uma fragmentação do eu. Esse olhar ajuda a diferenciar o vazio borderline de quadros como o transtorno bipolar, cuja dinâmica estrutural é distinta, como aprofundado em psicanálise e o entendimento do transtorno bipolar.

Do ponto de vista metapsicológico, os Sentimentos de Vazio no TPB podem estar ligados a falhas na simbolização primária. Quando experiências traumáticas não encontram representação psíquica adequada, permanecem como estados afetivos brutos, não elaborados. Em sessão, isso se manifesta como silêncio, sensação de “não ter o que dizer” ou relatos repetitivos de apatia profunda. O vazio, nesse contexto, é um sintoma que denuncia uma dificuldade de transformar emoção em narrativa. A clínica contemporânea reconhece que trabalhar a simbolização é fundamental para que o paciente possa construir significado. Esse processo não é imediato; exige tempo, vínculo terapêutico seguro e constância. A psicanálise moderna, integrando contribuições da neurociência afetiva, reconhece que a construção de sentido reorganiza circuitos neurais associados à identidade e à regulação emocional, mostrando que o trabalho simbólico tem repercussões concretas na vida do paciente.

Um aspecto delicado do vazio existencial no TPB é sua associação com ideação suicida. Quando o sujeito sente que não existe internamente, a fantasia de desaparecer pode surgir como tentativa de cessar o sofrimento. Por isso, abordar Sentimentos de Vazio no TPB implica também avaliar risco e oferecer contenção clínica adequada. Recomendo leitura complementar sobre gerenciamento de pensamentos suicidas, pois o vazio não deve ser subestimado. Na prática clínica, é comum que o paciente relate pensamentos de morte não como desejo ativo de morrer, mas como busca por alívio da ausência de sentido. A escuta empática e técnica ajuda a diferenciar impulso autodestrutivo de pedido de reconhecimento. O tratamento psicanalítico não ignora o risco; pelo contrário, oferece espaço estruturado para que essas fantasias possam ser simbolizadas, reduzindo sua potência destrutiva.

Outro eixo importante é a construção da identidade. Nos Sentimentos de Vazio no TPB, frequentemente encontramos uma identidade difusa, moldada excessivamente pelo olhar do outro. O paciente pode adaptar-se a cada relacionamento, perdendo referência interna estável. A clínica mostra que, quando o vínculo se rompe, a sensação de vazio se intensifica dramaticamente. Esse fenômeno pode ser confundido com traços narcisistas, mas possui dinâmica distinta da observada no transtorno de personalidade narcisista. No borderline, o vazio não decorre de grandiosidade defensiva, mas de fragilidade estrutural do self. Trabalhar identidade implica explorar desejos, valores e limites, promovendo diferenciação saudável entre eu e outro. Esse processo fortalece autonomia emocional e reduz dependência relacional extrema.

A psicanálise contemporânea também dialoga com Jung ao abordar arquétipos e inconsciente coletivo. Embora não seja abordagem central no TPB, compreender símbolos universais pode auxiliar na elaboração do vazio. Em arquétipos e o inconsciente coletivo, exploramos como imagens internas estruturam identidade. Para alguns pacientes, trabalhar metáforas e símbolos ajuda a preencher o vazio com significado criativo. A arte, a escrita e a imaginação ativa podem funcionar como pontes entre emoção bruta e narrativa consciente. Essa integração amplia recursos terapêuticos e oferece alternativas à repetição autodestrutiva.

O vazio também impacta profundamente relacionamentos. Quem convive com alguém que apresenta Sentimentos de Vazio no TPB pode perceber retraimento súbito, apatia ou necessidade intensa de validação. Orientações práticas para familiares estão disponíveis em conviver com alguém com TPB. A compreensão psicanalítica ajuda familiares a entender que o vazio não é manipulação, mas sofrimento genuíno. Validar sem reforçar dependência é um equilíbrio delicado, que exige orientação profissional.

A dimensão existencial do vazio conecta-se também à literatura e à filosofia. A reflexão presente em Fernando Pessoa e o tempo da travessia ilustra simbolicamente o processo de reconstrução identitária. O paciente com TPB precisa abandonar narrativas antigas marcadas por abandono e rejeição, criando novas possibilidades de existência. A psicanálise oferece espaço para essa travessia.

Estratégias complementares podem fortalecer o tratamento. Embora a psicanálise aprofunde raízes inconscientes, intervenções práticas descritas em guia de autoajuda e apoio auxiliam na regulação cotidiana. A integração entre insight e ação prática potencializa resultados. O vazio diminui quando há experiência concreta de competência e pertencimento.

É importante destacar que o vazio não é sentença permanente. A experiência clínica demonstra que, com vínculo terapêutico consistente, os Sentimentos de Vazio no TPB podem se transformar gradualmente em experiências de autenticidade. O paciente aprende a tolerar ausência sem interpretá-la como aniquilação. Esse avanço é sutil, porém profundamente transformador.

Por fim, acompanhar atualizações e discussões clínicas contínuas, como as disponíveis em atualizações sobre sentimentos de vazio, mantém o diálogo aberto, crítico e fundamentado em evidências. O vazio existencial no TPB, à luz da psicoterapia contemporânea e das contribuições psicodinâmicas, é compreendido não como ausência definitiva, mas como espaço potencial de reconstrução psíquica. Com escuta técnica qualificada, vínculo terapêutico seguro e trabalho simbólico consistente, é possível transformar o vazio em território fértil de sentido, identidade e esperança. A clínica mostra que, quando o paciente passa a nomear emoções antes vividas como indizíveis, ocorre uma reorganização interna significativa. O vazio deixa de ser um abismo e torna-se um espaço de elaboração. Esse processo exige tempo, constância e compromisso mútuo entre terapeuta e paciente, mas os resultados podem ser profundamente transformadores.


Conclusão

Os sentimentos de vazio no Transtorno de Personalidade Borderline são mais do que um sintoma isolado; representam uma experiência subjetiva complexa que envolve identidade, regulação emocional, memória afetiva e padrões relacionais. Trata-se de uma vivência que combina fatores neurobiológicos — como alterações na amígdala, no córtex pré-frontal e nos circuitos de integração emocional — com experiências precoces de invalidade emocional, trauma ou inconsistência afetiva. Essa combinação torna o vazio um dos aspectos mais desafiadores do TPB, tanto para quem sofre quanto para quem acompanha.

Felizmente, abordagens como Terapia Comportamental Dialética (DBT), Terapia Focada na Transferência (TFT), Terapia do Esquema e intervenções focadas em trauma oferecem caminhos estruturados e cientificamente respaldados para enfrentar essa experiência. Cada uma dessas abordagens contribui de forma complementar: enquanto a DBT fortalece habilidades práticas de regulação emocional, a TFT aprofunda a integração da identidade, e a terapia do esquema reestrutura crenças centrais ligadas a abandono e indignidade. O tratamento não elimina o passado, mas promove novas formas de significá-lo. Com o avanço das pesquisas em neuroimagem e psicoterapia baseada em evidências, cresce a possibilidade de intervenções cada vez mais personalizadas.

Este conteúdo é um convite à empatia, à responsabilidade clínica e à ação consciente. Para pacientes, representa a possibilidade de compreender que o vazio tem raízes identificáveis e pode ser trabalhado. Para familiares, oferece base para apoio mais equilibrado e informado. Para profissionais, reforça a importância de atualização contínua e manejo técnico cuidadoso. O vazio pode ser avassalador quando vivido em silêncio, mas torna-se transformável quando encontra escuta, linguagem e vínculo. Com acompanhamento adequado, é possível reconstruir sentido, fortalecer identidade e desenvolver relações mais estáveis e satisfatórias.


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Marcelo Paschoal Pizzut – Psicólogo Clínico – CRP 26008 RSPara atendimento psicológico especializado em TPB, visite:
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