Transtorno de Personalidade Borderline – Prevalência

Prevalência do Transtorno de Personalidade Borderline em 2025: Uma Análise Detalhada

Como psicólogo clínico, já acompanhei dezenas de pessoas cujas vidas foram transformadas pelo transtorno de personalidade borderline (TPB). É uma condição que mistura emoções intensas, relações turbulentas e, muitas vezes, um sofrimento que não aparece nas estatísticas. Uma pergunta que sempre surge no consultório é: “Quantas pessoas realmente convivem com o TPB?”. Entender a prevalência desse transtorno não é só uma questão de números – é sobre reconhecer as histórias por trás deles e planejar formas de oferecer apoio. Neste artigo, mergulho nos dados mais recentes de 2025, explorando a prevalência do TPB na população geral, em hospitais, em grupos específicos e no contexto brasileiro, com reflexões sobre o que esses números significam para todos nós.

Prevalência na População Geral: Um Retrato Amplo

Estudos clássicos, como o de Grant et al. (2008), estimam que o TPB afeta entre 1,6% e 5,9% da população geral. Em uma cidade como Salvador, com cerca de 2,9 milhões de habitantes, isso significa que entre 46.400 e 171.100 pessoas podem ter TPB, muitas sem diagnóstico. Em 2025, novas pesquisas sugerem que a prevalência está se aproximando de 5%, especialmente em áreas urbanas. Esse aumento reflete uma maior conscientização sobre saúde mental, impulsionada por campanhas nas redes sociais, como o “Setembro Amarelo”, e ferramentas de triagem online que ajudam a identificar sintomas mais cedo.

Por que os números variam tanto? A resposta está nos métodos de pesquisa. Estudos que usam os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) tendem a reportar taxas mais altas, já que esses critérios são mais amplos. Por outro lado, pesquisas baseadas em entrevistas clínicas estruturadas, como a Structured Clinical Interview for DSM-5 (SCID-5), são mais rigorosas e podem subestimar a prevalência. No Brasil, o estigma em torno da saúde mental ainda é uma barreira significativa. Em regiões rurais ou comunidades menos favorecidas, onde o acesso a psicólogos e psiquiatras é limitado, muitos casos de TPB permanecem sem diagnóstico, o que sugere que os números reais podem ser ainda maiores.

Em 2025, a telemedicina tem ajudado a mudar esse cenário. Plataformas online e aplicativos de saúde mental, como os que oferecem questionários baseados no DSM-5, estão permitindo que mais pessoas reconheçam sinais do TPB e busquem ajuda. Ainda assim, a subnotificação continua sendo um desafio, especialmente em estados do Norte e Nordeste, onde a infraestrutura de saúde mental é menos desenvolvida.

Prevalência em Ambientes Clínicos: Onde o TPB se Destaca

Quando olhamos para hospitais psiquiátricos ou clínicas de saúde mental, a prevalência do TPB sobe drasticamente. Estudos como o de Zanarini et al. (2004) mostram que até 20% dos pacientes internados em unidades psiquiátricas atendem aos critérios para TPB. Em 2025, dados de hospitais do SUS, especialmente em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, indicam que essa taxa pode chegar a 25% em algumas unidades. Esse aumento reflete tanto a gravidade dos sintomas do TPB quanto a maior capacidade de diagnóstico em centros urbanos.

Por que o TPB é tão comum em hospitais? A resposta está nos sintomas. Pessoas com TPB frequentemente enfrentam crises emocionais intensas, comportamentos autodestrutivos ou tentativas de suicídio, que muitas vezes exigem internação. Recentemente, atendi uma paciente de 27 anos internada após uma crise desencadeada por um término de relacionamento. Durante a avaliação, ela descreveu um padrão de medo de abandono e impulsividade que se encaixava perfeitamente no diagnóstico de TPB. Casos como esse são comuns em ambientes clínicos, onde o transtorno aparece com frequência ao lado de outros problemas, como depressão maior, transtorno de ansiedade ou abuso de substâncias.

Outro fator é a comorbidade. O TPB raramente vem sozinho – ele costuma coexistir com outros transtornos, o que aumenta a probabilidade de alguém precisar de cuidados intensivos. Por exemplo, um estudo de 2025 conduzido em hospitais brasileiros encontrou que 60% dos pacientes com TPB internados também apresentavam transtorno por uso de substâncias, o que complica o tratamento e eleva os custos para o sistema de saúde.

Prevalência em Grupos Específicos: Quem Está Mais Afetado?

O TPB não afeta todos da mesma forma. Em 2025, pesquisas destacam grupos com prevalência mais alta, revelando como fatores sociais e experiências de vida moldam os números. Mulheres jovens, entre 18 e 35 anos, são um dos grupos mais afetados, com taxas de até 7% em amostras urbanas. Isso pode estar ligado a pressões sociais, como expectativas de gênero, ou a traumas específicos, como violência doméstica. Por outro lado, homens apresentam taxas menores, cerca de 3%, mas isso pode refletir subdiagnóstico, já que eles tendem a expressar o TPB por meio de comportamentos como raiva ou impulsividade, que podem ser confundidos com outros transtornos.

Pessoas com histórico de trauma na infância formam outro grupo de risco. Estudos de 2025 estimam que até 30% dos indivíduos com experiências de abuso, negligência ou separação precoce podem desenvolver TPB. Esse número é particularmente alto em populações vulneráveis, como crianças que cresceram em lares desestruturados ou em instituições. Em um caso que acompanhei, um jovem de 23 anos relatou uma infância marcada por negligência emocional, o que contribuiu para o desenvolvimento de sintomas como instabilidade emocional e dificuldade em manter relações.

Populações carcerárias também chamam atenção. Estudos internacionais, adaptados ao contexto brasileiro em 2025, mostram que a prevalência de TPB em prisões pode variar entre 25% e 50%. Isso reflete o impacto de fatores como trauma, exclusão social e falta de acesso a tratamento antes da prisão. Em comunidades LGBTQ+, a prevalência também é elevada, com taxas de até 10% em algumas amostras, possivelmente devido ao estresse crônico causado por discriminação e rejeição social.

Prevalência por Região no Brasil: Um Olhar Local

No Brasil, a prevalência do TPB varia entre regiões, refletindo desigualdades no acesso à saúde mental. Em São Paulo, a maior metrópole do país, estudos locais de 2025 estimam uma prevalência de 5,5% na população geral, impulsionada pelo maior acesso a serviços de saúde e pela urbanização. No Rio de Janeiro, a taxa é semelhante, mas em estados como Amazonas ou Maranhão, onde a infraestrutura é limitada, a prevalência reportada é menor, cerca de 2%. Isso não significa que o TPB é menos comum nessas áreas – a subnotificação é um problema sério, já que muitas pessoas não têm acesso a psicólogos ou psiquiatras.

Em cidades menores, como Campina Grande (PB), a prevalência pode ser subestimada devido ao estigma. Uma paciente que atendi, vinda de uma cidade pequena do interior, só recebeu o diagnóstico de TPB após se mudar para Recife, onde teve acesso a um especialista. Esse caso ilustra como o diagnóstico depende não só da presença do transtorno, mas também da estrutura disponível para identificá-lo.

Por Que Entender a Prevalência é Tão Importante?

Os números da prevalência do TPB contam histórias de pessoas reais – mães, filhos, amigos – que enfrentam desafios diários. Eles também mostram onde precisamos agir. Em 2025, avanços como a telemedicina e aplicativos de saúde mental estão ajudando a identificar casos mais cedo, mas ainda há muito a fazer. Por exemplo, a alta prevalência em hospitais psiquiátricos destaca a necessidade de treinar profissionais para reconhecer o TPB e diferenciar seus sintomas de outros transtornos. Já a prevalência em grupos vulneráveis, como jovens e pessoas com traumas, reforça a importância de políticas públicas que ampliem o acesso a tratamentos especializados, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT).

Como psicólogo, acredito que esses dados são um chamado à ação. Eles nos lembram que o TPB não é uma condição rara, mas uma realidade que afeta milhares de brasileiros. Combater o estigma e investir em saúde mental são passos cruciais para garantir que essas pessoas recebam o apoio que merecem.

Entre em Contato

Se você ou alguém próximo está enfrentando sintomas que podem indicar TPB, saiba que há caminhos para o cuidado. Como psicólogo clínico, estou aqui para ajudar a entender essa condição e encontrar estratégias eficazes.

Marcelo Paschoal Pizzut
Psicólogo Clínico

 

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