O Que Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) Desejam do Tratamento?

O Que Indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) Desejam do Tratamento? Uma Abordagem Centrada no Paciente

Marcelo Paschoal Pizzut
Psicólogo Clínico, Especializado em Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)


Introdução

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição complexa e multifacetada, caracterizada por instabilidade emocional, dificuldades interpessoais, impulsividade e uma sensação crônica de vazio. Embora os tratamentos atuais, como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) e a Terapia Focada na Mentalização (MBT), tenham demonstrado eficácia na redução de sintomas, pouco se sabe sobre o que os próprios pacientes consideram como objetivos significativos para sua recuperação. Este texto busca explorar as metas de tratamento auto-geradas por indivíduos com TPB, com base em estudos recentes, e discutir como os profissionais de saúde mental podem adaptar suas práticas para atender melhor às necessidades desses pacientes.


A Importância dos Objetivos de Tratamento Centrados no Paciente

A maioria dos estudos sobre TPB foca em medidas de sintomas e diagnósticos, como a redução de comportamentos autodestrutivos ou a melhoria da regulação emocional. No entanto, esses indicadores nem sempre refletem o que os pacientes consideram como resultados valiosos. Um estudo realizado por Ng et al. (2019) com 102 indivíduos com TPB revelou que, embora a redução de sintomas seja uma prioridade, os pacientes também valorizam fortemente melhorias no bem-estar geral, relacionamentos interpessoais e autoconhecimento.

Essa desconexão entre os objetivos clínicos e as prioridades dos pacientes pode levar a uma falta de engajamento no tratamento. Portanto, é essencial que os profissionais de saúde mental adotem uma abordagem colaborativa, trabalhando em conjunto com os pacientes para estabelecer metas de tratamento que sejam pessoalmente significativas.


Metas de Tratamento Auto-Geradas por Indivíduos com TPB

O estudo de Ng et al. (2019) identificou quatro categorias principais de objetivos de tratamento relatados por indivíduos com TPB:

  1. Redução de Sintomas
    A maioria dos participantes (86,3%) mencionou a redução de sintomas como uma meta prioritária. Isso incluiu a diminuição de sintomas depressivos e ansiosos, a redução de comportamentos impulsivos e a prevenção de ideações suicidas. Muitos pacientes relataram que a melhora dos sintomas é um pré-requisito para alcançar outros objetivos, como retomar estudos ou trabalho.Exemplo de relato: “Eu quero aprender a lidar com a depressão e a angústia… Gostaria de chegar a um ponto em que possa voltar a estudar ou trabalhar.”
  2. Melhoria do Bem-Estar
    Cerca de 62,7% dos participantes expressaram o desejo de melhorar seu bem-estar geral. Isso incluiu objetivos como desenvolver estratégias de enfrentamento mais eficazes, melhorar a qualidade de vida e alcançar estabilidade financeira. Alguns pacientes destacaram a importância de atividades significativas, como dança ou arte, para sua recuperação.Exemplo de relato: “Eu realmente quero voltar a dançar. A dança me ajudava muito… Preciso aprender a ir lá e não me importar se serei julgada.”
  3. Melhores Relacionamentos Interpessoais
    Mais da metade dos participantes (52,9%) mencionou o desejo de melhorar seus relacionamentos. Isso incluiu a construção de conexões mais profundas, o desenvolvimento de habilidades de comunicação e a superação de sentimentos de solidão e isolamento.Exemplo de relato: “Eu quero me sentir como se pertencesse a algum lugar. Sinto que não me encaixo… Tenho medo de sair e conhecer novas pessoas.”
  4. Maior Senso de Identidade
    Aproximadamente 39,2% dos participantes buscaram desenvolver um maior senso de identidade e autoconhecimento. Muitos relataram a necessidade de superar uma “identidade de vítima” associada a traumas passados e de se verem além do diagnóstico de TPB.Exemplo de relato: “Eu quero me conhecer melhor… Quero ser mais consistente. Cheguei a um ponto em que afasto as pessoas porque não consigo ser eu mesma.”

Implicações para a Prática Clínica

Os resultados desse estudo destacam a importância de personalizar o tratamento para indivíduos com TPB. Aqui estão algumas recomendações para os profissionais de saúde mental:

  1. Colaboração no Estabelecimento de Objetivos
    Os clínicos devem trabalhar em conjunto com os pacientes para definir metas de tratamento que sejam pessoalmente significativas. Isso pode aumentar o engajamento e a motivação dos pacientes.
  2. Ampliação dos Objetivos de Tratamento
    As intervenções atuais para TPB podem se beneficiar da inclusão de objetivos mais amplos, como melhoria de habilidades sociais, bem-estar geral e autoconhecimento.
  3. Integração de Intervenções Psicossociais
    Abordagens como terapia comunitária assertiva, suporte de pares e programas de reabilitação psicossocial podem complementar as terapias baseadas em evidências, ajudando os pacientes a alcançar metas que vão além do escopo tradicional.
  4. Monitoramento Contínuo dos Objetivos
    Os objetivos de tratamento não são estáticos e podem evoluir ao longo do tempo. Portanto, é importante que os clínicos revisem e ajustem as metas de tratamento regularmente.

Limitações e Direções Futuras

Embora o estudo de Ng et al. (2019) forneça insights valiosos, ele tem algumas limitações. Por exemplo, os objetivos foram coletados no início do tratamento, o que pode refletir uma fase inicial de recuperação. Estudos longitudinais são necessários para entender como os objetivos evoluem ao longo do tempo.

Além disso, a amostra foi composta por indivíduos em um programa de tratamento específico, o que pode limitar a generalização dos resultados. Pesquisas futuras devem explorar as metas de tratamento em diferentes contextos e estágios de recuperação.

 


 

A Visão de Marsha M. Linehan: Validação, Mudança e o Coração da DBT

A contribuição de Marsha M. Linehan para o tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline representa uma mudança paradigmática na forma como compreendemos o sofrimento psíquico intenso. Ao desenvolver a Terapia Comportamental Dialética (DBT), Linehan partiu de uma premissa clínica profundamente humana: pessoas com TPB não falham porque não querem melhorar, mas porque ainda não aprenderam habilidades eficazes para lidar com emoções extremas. Essa perspectiva rompe com modelos moralizantes ou punitivos e coloca a validação emocional no centro do tratamento. Validar, na DBT, não significa concordar com comportamentos disfuncionais, mas reconhecer que a dor vivenciada é real, compreensível e faz sentido dentro da história daquele indivíduo. Essa abordagem cria uma base de confiança essencial para qualquer processo terapêutico consistente, algo amplamente discutido por profissionais especializados em TPB, como os que atuam no https://psicologo-borderline.online/.

Do ponto de vista dos pacientes, essa postura validante responde diretamente a um desejo central: ser levado a sério em seu sofrimento. Muitos indivíduos com TPB relatam experiências anteriores de invalidação, seja em contextos familiares, escolares ou mesmo em atendimentos de saúde mental. A DBT, ao equilibrar aceitação e mudança, oferece uma resposta clínica sofisticada a essa história de dor acumulada. Linehan enfatiza que a mudança só é possível quando o paciente se sente compreendido, e não julgado. Isso tem implicações diretas na adesão ao tratamento, na redução de abandonos terapêuticos e na diminuição de comportamentos de alto risco, como automutilação e tentativas de suicídio.

Além disso, a filosofia dialética da DBT ensina que duas verdades aparentemente opostas podem coexistir: “eu sou como sou por causa da minha história” e “eu preciso mudar para construir uma vida que valha a pena ser vivida”. Essa ideia dialoga profundamente com os objetivos auto-gerados descritos por pacientes com TPB, especialmente no que se refere ao desejo de construir sentido, identidade e pertencimento. Em contextos clínicos brasileiros, essa abordagem tem sido cada vez mais integrada a práticas éticas e baseadas em evidências, em consonância com diretrizes do Conselho Federal de Psicologia e com produções científicas disponíveis na SciELO Brasil.


Regulação Emocional como Meta Central do Tratamento

Um dos pilares fundamentais da DBT desenvolvida por Marsha M. Linehan é o treinamento em regulação emocional. Do ponto de vista dos pacientes com TPB, essa habilidade responde diretamente a um desejo recorrente: parar de “sentir tudo demais o tempo todo”. Emoções intensas, rápidas e difíceis de modular costumam gerar sofrimento significativo, impactando relações, trabalho e a própria percepção de identidade. A DBT compreende que o problema central não é sentir emoções fortes, mas não possuir ferramentas eficazes para lidar com elas sem recorrer a comportamentos autodestrutivos. Assim, a regulação emocional torna-se não apenas uma técnica, mas uma meta terapêutica profundamente alinhada às expectativas dos pacientes.

Linehan propõe que aprender a identificar emoções, compreender sua função e reduzir a vulnerabilidade emocional são passos essenciais para a construção de uma vida mais estável. Isso inclui intervenções práticas, como o cuidado com o sono, alimentação, uso de substâncias e manejo do estresse — aspectos frequentemente negligenciados, mas cruciais para a saúde mental. Muitos pacientes relatam que, ao aprenderem essas habilidades, passam a sentir maior senso de controle sobre suas reações internas, algo que se conecta diretamente ao desejo de autonomia e dignidade no tratamento. Em clínicas especializadas e em atendimentos online, como os divulgados em https://psicologo-borderline.online/psicologo-especialista-transtorno-personalidade-borderline/, essas estratégias são adaptadas à realidade individual de cada paciente.

Do ponto de vista clínico, a regulação emocional também funciona como um fator protetivo. Estudos indicam que melhorias nessa habilidade estão associadas à redução de internações psiquiátricas e de crises agudas. Isso dialoga com políticas públicas de saúde mental e com orientações do Ministério da Saúde, que enfatizam a importância de intervenções psicossociais contínuas e baseadas em evidências. Além disso, a literatura científica disponível em bases como a Biblioteca Virtual em Saúde reforça que a DBT é uma das abordagens mais eficazes para lidar com a desregulação emocional crônica.

Para o paciente, no entanto, o impacto mais significativo costuma ser subjetivo: a sensação de que as emoções deixam de ser inimigas incontroláveis e passam a ser sinais internos compreensíveis. Esse aprendizado favorece a construção de autoestima, autocompaixão e esperança, elementos frequentemente ausentes na história de vida de indivíduos com TPB.


Tolerância ao Mal-Estar: Aprender a Atravessar Crises sem se Destruir

Outro componente central da DBT de Marsha M. Linehan é o conjunto de habilidades de tolerância ao mal-estar. Essa dimensão do tratamento dialoga diretamente com um dos maiores temores relatados por indivíduos com TPB: o medo de não sobreviver emocionalmente às crises. Para muitos pacientes, emoções intensas são vivenciadas como insuportáveis, urgentes e perigosas, o que leva a comportamentos impulsivos como automutilação, abuso de substâncias ou explosões interpessoais. A DBT não promete eliminar a dor imediatamente, mas ensina caminhos concretos para atravessá-la sem agravar o sofrimento.

As habilidades de tolerância ao mal-estar incluem estratégias de distração saudável, autoacolhimento, aceitação radical e uso consciente dos sentidos para reduzir a ativação fisiológica. Do ponto de vista do paciente, aprender que é possível suportar uma emoção difícil sem “agir sobre ela” costuma ser uma experiência transformadora. Muitos relatam, pela primeira vez, a sensação de que a crise tem começo, meio e fim. Essa vivência enfraquece a crença de que a única saída para a dor é o comportamento autodestrutivo, uma crença frequentemente reforçada por anos de experiências frustrantes.

Linehan enfatiza que tolerar o mal-estar não significa resignação passiva, mas uma escolha ativa de não piorar a situação no momento da crise. Essa distinção é fundamental e costuma ser trabalhada de forma didática em terapia individual, grupos de habilidades e até em recursos psicoeducativos online, como os disponíveis em https://psicologo-borderline.online/sobre/. Para muitos pacientes, esse aprendizado se conecta diretamente ao objetivo de “parar de se machucar” e de preservar vínculos importantes, como relacionamentos familiares e afetivos.

Do ponto de vista da saúde pública, a eficácia dessas habilidades tem implicações relevantes na redução de atendimentos de emergência e de custos associados a internações repetidas. Instituições como a Fiocruz e bases de dados como o DATASUS têm destacado a importância de intervenções preventivas em saúde mental, especialmente para populações de alto risco. Assim, a tolerância ao mal-estar não é apenas uma ferramenta clínica individual, mas um recurso com impacto social amplo.


Efetividade Interpessoal e o Desejo de Relações Mais Seguras

A dificuldade nos relacionamentos interpessoais é uma das marcas mais dolorosas do Transtorno de Personalidade Borderline. Marsha M. Linehan reconheceu precocemente que muitos pacientes não desejam apenas “controlar sintomas”, mas aprender a se relacionar sem medo constante de abandono, rejeição ou conflito extremo. As habilidades de efetividade interpessoal da DBT foram desenvolvidas exatamente para atender a esse anseio. Elas ensinam como pedir o que se precisa, dizer não, estabelecer limites e preservar a autoestima nas interações sociais.

Do ponto de vista do paciente, essas habilidades respondem a um desejo profundo de pertencimento. Muitos indivíduos com TPB relatam uma história de relações intensas, instáveis e marcadas por rupturas dolorosas. Aprender estratégias claras de comunicação reduz a sensação de caos relacional e aumenta a previsibilidade dos vínculos. Em termos práticos, isso pode significar desde conseguir expressar uma necessidade a um parceiro até lidar com críticas no ambiente de trabalho sem entrar em colapso emocional. Essas conquistas, embora aparentemente simples, costumam ter um impacto significativo na qualidade de vida.

Linehan enfatiza que a efetividade interpessoal não busca transformar o paciente em alguém “submisso” ou “agradável a qualquer custo”. Pelo contrário, o objetivo é equilibrar três prioridades: alcançar objetivos, manter relacionamentos e respeitar a si mesmo. Essa abordagem dialética é especialmente relevante para pacientes com TPB, que frequentemente oscilam entre a submissão extrema e a agressividade impulsiva. Em contextos clínicos brasileiros, essas habilidades são frequentemente integradas a tratamentos oferecidos por equipes multiprofissionais, incluindo psicólogos e psiquiatras, como os descritos em https://psicologo-borderline.online/psiquiatra/.

Do ponto de vista científico, estudos publicados em periódicos indexados na SciELO Brasil reforçam que melhorias na efetividade interpessoal estão associadas à redução de conflitos, sintomas depressivos e sentimentos de solidão. Assim, essa dimensão da DBT se conecta diretamente aos objetivos auto-gerados de melhorar relacionamentos e construir uma vida social mais estável e satisfatória.


Construir uma Vida que Valha a Pena Ser Vivida

Talvez a contribuição mais profunda de Marsha M. Linehan para o tratamento do TPB seja a ideia de que o objetivo final da terapia não é apenas reduzir sintomas, mas ajudar o paciente a construir “uma vida que valha a pena ser vivida”. Essa expressão, frequentemente utilizada na DBT, ressoa fortemente com os relatos de pacientes que desejam mais do que sobreviver: eles querem viver com sentido, propósito e dignidade. Esse foco existencial diferencia a DBT de abordagens estritamente sintomatológicas.

Do ponto de vista do paciente, essa proposta legitima sonhos, desejos e projetos pessoais que muitas vezes foram abandonados devido ao sofrimento psíquico crônico. Retomar estudos, trabalhar, desenvolver hobbies, construir relações significativas ou simplesmente experimentar momentos de paz tornam-se metas terapêuticas legítimas. A DBT encoraja o terapeuta a explorar esses valores e a traduzi-los em objetivos concretos, reforçando a motivação para o tratamento. Em espaços de apoio comunitário e psicoeducação, como grupos divulgados em https://psicologo-borderline.online/grupo-whatsapp/, esse senso de propósito é frequentemente fortalecido pelo contato com outras pessoas em processos semelhantes.

Clinicamente, essa orientação baseada em valores ajuda a sustentar o tratamento a longo prazo. Linehan reconhece que a DBT é exigente, tanto para pacientes quanto para terapeutas. Ter um “porquê” claro aumenta a tolerância ao esforço necessário para aprender e praticar novas habilidades. Além disso, esse enfoque dialoga com princípios éticos da Psicologia brasileira, que valorizam a promoção da autonomia, da cidadania e da qualidade de vida, conforme orientações do Conselho Federal de Psicologia.

Em termos de políticas públicas, a ideia de uma vida com sentido também se alinha a abordagens de reabilitação psicossocial defendidas pelo Ministério da Saúde, que enfatizam a inclusão social e o fortalecimento de redes de apoio como elementos centrais da recuperação em saúde mental.


A Relação Terapêutica como Instrumento de Mudança

Marsha M. Linehan sempre destacou que a relação terapêutica é um dos instrumentos mais poderosos de mudança na DBT. Diferentemente de modelos excessivamente distantes ou técnicos, a DBT valoriza uma postura ativa, humana e colaborativa do terapeuta. Para pacientes com TPB, que frequentemente vivenciaram relações marcadas por inconsistência, abuso ou abandono, a experiência de um vínculo terapêutico estável e confiável pode ser profundamente reparadora.

Do ponto de vista do paciente, sentir que o terapeuta está genuinamente engajado, disponível e comprometido com sua segurança faz toda a diferença. A DBT inclui estratégias específicas para manejar crises, como o contato telefônico entre sessões em situações bem delimitadas, algo que reforça a sensação de não estar sozinho no momento de maior vulnerabilidade. Essa prática, quando bem estruturada e ética, contribui para a redução de comportamentos de risco e fortalece a aliança terapêutica.

Linehan também enfatiza a importância da validação contínua dentro da relação terapêutica. Isso significa reconhecer o esforço do paciente, mesmo quando os resultados ainda são limitados. Essa postura ajuda a combater a vergonha crônica e a autocrítica intensa, emoções frequentemente presentes no TPB. Em contextos clínicos brasileiros, essa abordagem é compatível com diretrizes éticas e com práticas humanizadas de cuidado, amplamente discutidas em instituições como a Universidade Federal de São Paulo e em publicações científicas indexadas na SciELO Brasil.

Além disso, a relação terapêutica na DBT serve como um laboratório seguro para o treino de habilidades interpessoais. Conflitos, rupturas e reparações dentro da terapia tornam-se oportunidades de aprendizado, preparando o paciente para lidar de forma mais saudável com relações fora do setting clínico. Esse aspecto responde diretamente ao desejo dos pacientes de construir vínculos mais seguros e menos dolorosos.


Responsabilidade Compartilhada e Autonomia do Paciente

Um princípio fundamental da DBT de Marsha M. Linehan é a ideia de responsabilidade compartilhada. O terapeuta é responsável por oferecer um tratamento competente, validante e estruturado, enquanto o paciente é responsável por se engajar ativamente no processo. Essa divisão clara de responsabilidades contribui para o fortalecimento da autonomia, algo que muitos indivíduos com TPB desejam profundamente, mas não sabem como alcançar.

Do ponto de vista do paciente, ser tratado como alguém capaz de aprender, escolher e mudar é uma experiência frequentemente inédita. A DBT evita tanto a postura paternalista quanto a culpabilização, criando um espaço onde o paciente é visto como protagonista de sua própria recuperação. Esse enfoque é particularmente importante para pessoas que passaram grande parte da vida sendo rotuladas como “difíceis” ou “incuráveis”. Ao contrário, a DBT parte do pressuposto de que todos podem aprender habilidades eficazes, desde que tenham acesso às condições adequadas.

Linehan também destaca que assumir responsabilidade não significa negar as dificuldades reais impostas pelo TPB. Pelo contrário, a DBT reconhece o impacto de fatores biológicos, históricos e sociais no desenvolvimento do transtorno. No entanto, enfatiza que a mudança é possível no presente. Esse equilíbrio entre compreensão e ação é central para atender aos objetivos auto-gerados de crescimento pessoal e construção de identidade, frequentemente relatados por pacientes.

Em termos institucionais, essa perspectiva dialoga com práticas de empoderamento em saúde mental defendidas por órgãos como o Ministério da Saúde e presentes em políticas públicas de atenção psicossocial. Também se alinha a códigos de ética e boas práticas profissionais, como os divulgados em https://psicologo-borderline.online/regras/, que reforçam o respeito à autonomia e à dignidade do paciente.


Integração da DBT no Contexto Brasileiro e Considerações Finais

A aplicação dos princípios de Marsha M. Linehan no contexto brasileiro exige sensibilidade cultural, adaptação técnica e compromisso ético. No entanto, os fundamentos da DBT — validação, habilidades, responsabilidade e construção de uma vida com sentido — mostram-se altamente compatíveis com as necessidades relatadas por indivíduos com TPB no Brasil. A crescente oferta de atendimento psicológico online, grupos de apoio e conteúdos psicoeducativos tem ampliado o acesso a esse modelo de tratamento, como observado em iniciativas divulgadas em https://psicologo-borderline.online/2022-12-contato-html/.

Do ponto de vista dos pacientes, a DBT oferece algo que vai além de técnicas: ela oferece esperança fundamentada em evidências. A ideia de que é possível aprender a viver com emoções intensas sem ser dominado por elas ressoa profundamente com quem convive há anos com sofrimento psíquico. Estudos científicos disponíveis em bases como a Biblioteca Virtual em Saúde e publicações da Fiocruz reforçam a eficácia da DBT na redução de comportamentos suicidas e na melhora da qualidade de vida, fortalecendo sua legitimidade no cenário da saúde mental.

Como psicólogo clínico especializado em TPB, observo diariamente que os objetivos de tratamento mais significativos para os pacientes estão alinhados com a proposta original de Linehan: viver com menos dor, mais consciência e maior conexão consigo e com os outros. Ao escutar atentamente o que os pacientes desejam e ao integrar essas metas ao plano terapêutico, honramos não apenas a ciência, mas a humanidade de cada pessoa atendida.

Em última instância, o legado de Marsha M. Linehan nos lembra que tratar o Transtorno de Personalidade Borderline é, acima de tudo, um ato de respeito à complexidade da experiência humana.


Conclusão

O tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline deve ir além da redução de sintomas e incluir objetivos que sejam pessoalmente significativos para os pacientes. Ao adotar uma abordagem colaborativa e centrada no paciente, os profissionais de saúde mental podem ajudar os indivíduos com TPB a alcançar uma recuperação mais holística e satisfatória.

Como psicólogo especializado em TPB, acredito que a chave para um tratamento eficaz está na compreensão das necessidades e prioridades individuais de cada paciente. Ao alinhar os objetivos terapêuticos com essas prioridades, podemos não apenas melhorar os resultados clínicos, mas também promover uma sensação de esperança e propósito na vida dos pacientes.

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