Medo de Abandono em Pacientes com TPB: Um Olhar Acolhedor para 2025
Introdução
Imagine viver com um medo constante de que as pessoas que você ama vão te deixar. Para quem tem Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), esse medo de abandono não é apenas uma preocupação passageira – é uma dor profunda que pode transformar pequenos momentos, como um amigo que demora a responder uma mensagem, em uma sensação de rejeição avassaladora. Esse medo é um dos pilares do TPB, segundo o DSM-5 (American Psychiatric Association, 2013), e pode impactar profundamente a vida emocional e os relacionamentos. Neste artigo, atualizado para 2025, vamos explorar, de forma acolhedora e humana, o que é o medo de abandono no TPB, suas causas, seus efeitos e como é possível enfrentá-lo com apoio e estratégias eficazes.
O Que é o Medo de Abandono no TPB?
O medo de abandono no TPB é mais do que uma insegurança comum – é uma angústia intensa que pode surgir mesmo sem motivo aparente. Pessoas com TPB muitas vezes sentem ansiedade extrema quando estão separadas de pessoas importantes, interpretam gestos simples, como um tom de voz diferente, como sinais de rejeição, ou fazem esforços desesperados para evitar qualquer possibilidade de abandono, real ou imaginado (Zanarini et al., 2002). Esse medo pode levar a comportamentos impulsivos, como ligar repetidamente para alguém ou até ameaças, na tentativa de manter a conexão. É como se a pessoa vivesse com um alarme interno que dispara ao menor sinal de distância emocional, tornando cada interação uma questão de sobrevivência emocional.
De Onde Vem Esse Medo?
As raízes do medo de abandono no TPB são complexas e envolvem uma mistura de fatores genéticos, ambientais e psicológicos. Muitas pessoas com TPB têm histórias de traumas na infância, como negligência, abuso ou separações significativas, que podem fazer com que qualquer sinal de rejeição reative essas dores antigas (Lis et al., 2017). Além disso, dificuldades na regulação emocional e na mentalização – a capacidade de entender os próprios sentimentos e os dos outros – amplificam esse medo, tornando mais difícil diferenciar uma preocupação real de uma percepção distorcida (Fonagy et al., 2002). Por exemplo, uma pessoa com TPB pode interpretar um atraso de um amigo como um sinal de que “ele não me quer mais”, mesmo que isso não seja verdade.
Os Impactos do Medo de Abandono
O medo de abandono pode ter consequências devastadoras. Ele pode levar a comportamentos autodestrutivos, como automutilação ou tentativas de suicídio, especialmente quando a pessoa sente que está sendo rejeitada (Yen et al., 2004). Nos relacionamentos, esse medo alimenta a instabilidade típica do TPB, com momentos de idealização (“você é perfeito”) seguidos de desvalorização (“você me traiu”) quando há um sinal percebido de abandono (Gunderson et al., 2006). Isso cria um ciclo de altos e baixos emocionais que pode desgastar tanto a pessoa com TPB quanto aqueles ao seu redor, dificultando amizades, parcerias amorosas e até relações familiares. O medo constante também pode levar a isolamento, já que a pessoa pode evitar se conectar com outros para não enfrentar a possibilidade de rejeição.
Estratégias Terapêuticas para o Medo de Abandono
A boa notícia é que o medo de abandono pode ser trabalhado com terapias eficazes. A Terapia Dialética Comportamental (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan (2006), é uma das abordagens mais recomendadas, ajudando a pessoa a regular emoções, tolerar momentos de angústia e melhorar habilidades interpessoais. A Terapia Baseada em Mentalização (MBT) também é poderosa, focando em desenvolver a capacidade de entender os próprios sentimentos e os dos outros, reduzindo mal-entendidos que alimentam o medo de abandono (Bateman & Fonagy, 2008). Essas terapias ensinam estratégias práticas, como pausar antes de reagir impulsivamente ou usar mindfulness para se ancorar no presente. Em 2025, terapias online e aplicativos de saúde mental têm tornado essas ferramentas mais acessíveis, permitindo que mais pessoas busquem ajuda.
Como Lidar com o Medo no Dia a Dia
Além da terapia, pequenas práticas podem ajudar a gerenciar o medo de abandono no cotidiano. Técnicas como respiração profunda, anotar pensamentos em um diário para refletir antes de agir, ou conversar abertamente com pessoas de confiança sobre os sentimentos podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, dizer a um amigo, “quando você demora para responder, fico com medo de que não queira mais falar comigo”, pode abrir espaço para diálogo e reduzir mal-entendidos. Estabelecer rotinas de autocuidado, como exercícios físicos ou hobbies, também ajuda a construir uma base emocional mais forte. A chave é aprender a reconhecer o medo sem deixar que ele controle as ações.
O Papel da Rede de Apoio
Familiares e amigos têm um papel crucial no apoio a quem vive com TPB. Escutar com empatia, validar sentimentos sem reforçar comportamentos impulsivos e incentivar a continuidade do tratamento são passos importantes. Por exemplo, dizer “eu entendo que você está com medo, e estou aqui” pode ser mais eficaz do que tentar “consertar” a situação. Grupos de apoio, como os oferecidos pelo NEABOR, ajudam familiares a aprenderem a estabelecer limites saudáveis e a lidar com os desafios do convívio. É essencial que a rede de apoio também cuide de si mesma, buscando suporte psicológico quando necessário.
Conclusão
O medo de abandono é uma parte central e profundamente dolorosa do TPB, mas não precisa definir a vida de quem vive com o transtorno. Com terapias como DBT e MBT, práticas diárias de autocuidado e o apoio de uma rede acolhedora, é possível aprender a gerenciar esse medo, construir relacionamentos mais estáveis e encontrar um caminho de maior equilíbrio. Em 2025, com avanços em tratamentos e maior conscientização sobre saúde mental, há mais esperança do que nunca para quem enfrenta esses desafios.
Referências
- American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
- Bateman, A., & Fonagy, P. (2008). 8-year follow-up of patients treated for borderline personality disorder: Mentalization-based treatment versus treatment as usual. American Journal of Psychiatry, 165(5), 631-638.
- Fonagy, P., Gergely, G., Jurist, E. L., & Target, M. (2002). Affect Regulation, Mentalization, and the Development of the Self. Other Press.
- Gunderson, J. G., Lyons-Ruth, K., & Melnick, S. (2006). Borderline personality disorder: A clinical guide. American Journal of Psychiatry, 163(4), 589-598.
- Linehan, M. M., Comtois, K. A., Murray, A. M., et al. (2006). Two-year randomized controlled trial and follow-up of dialectical behavior therapy vs therapy by experts for suicidal behaviors and borderline personality disorder. Archives of General Psychiatry, 63(7), 757-766.
- Lis, E., Greenfield, B., Henry, M., & Guilé, J. M. (2017). Neuroimaging and genetics of borderline personality disorder: A review. Journal of Psychiatry & Neuroscience, 32(3), 162-173.
- Yen, S., Shea, M. T., Sanislow, C. A., et al. (2004). Borderline personality disorder and suicidal behavior: A prospective study. American Journal of Psychiatry, 161(11), 2011-2018.
- Zanarini, M. C., Frankenburg, F. R., & Hennen, J. (2002). The longitudinal course of borderline psychopathology: 6-year prospective follow-up of the phenomenology of borderline personality disorder. American Journal of Psychiatry, 160(2), 274-283.
