Cluster B

Cluster B: Os 4 Transtornos de Personalidade Dramáticos e Emocionais do DSM-5

Por Marcelo Paschoal Pizzut – Psicólogo Clínico CRP 07/26008 – Atualizado em 17 de novembro de 2025

O Cluster B é o grupo mais intenso e visível dos transtornos de personalidade. Reúne quatro condições – Antissocial, Borderline, Histriônico e Narcisista – marcadas por emoções explosivas, impulsividade, relacionamentos turbulentos e comportamentos que costumam gerar grande impacto (e sofrimento) tanto para quem tem o transtorno quanto para quem convive. É o cluster que mais aparece em consultórios, redes sociais, notícias e nas histórias de “relacionamentos tóxicos” que todo mundo já ouviu falar.

Ilustração representando intensidade emocional – Cluster B

1. O que é o Cluster B e por que ele é diferente

O DSM-5 organiza os 10 transtornos de personalidade em três grandes grupos. O Cluster A (esquisitos/excêntricos), o Cluster C (ansiosos/medrosos) e o Cluster B – o grupo dos transtornos dramáticos, emocionais e erráticos. Quem está no Cluster B sente e age com intensidade fora da curva: emoções explodem rápido, decisões são impulsivas, relacionamentos oscilam entre idealização e destruição, e a vida costuma ser marcada por crises frequentes. É o cluster que mais chama atenção – seja pela capacidade de encantar ou de ferir profundamente quem está perto.

2. Os 4 transtornos do Cluster B explicados um a um

Transtorno de Personalidade Antissocial: desrespeito crônico pelas normas e pelos direitos dos outros, mentira patológica, manipulação sem culpa, impulsividade extrema e ausência de remorso. São as pessoas que enganam, exploram e machucam sem sentir peso na consciência.

Transtorno de Personalidade Borderline: medo avassalador de abandono, emoções que mudam em minutos, relações intensas e instáveis, identidade fragmentada, impulsos autodestrutivos (cortes, gastos, sexo de risco) e sensação crônica de vazio.

Transtorno de Personalidade Histriônico: necessidade desesperada de ser o centro das atenções, emoções teatrais e rapidamente mutáveis, sedução automática (não necessariamente sexual), aparência e comportamento exageradamente chamativos, relações superficiais apesar da intensidade inicial.

Transtorno de Personalidade Narcisista: grandiosidade, fantasia de poder ilimitado, necessidade constante de admiração, falta de empatia, exploração dos outros, sentimento de superioridade e reações explosivas ou frias diante de críticas.

3. Tabela comparativa completa: diferenças e semelhanças

Característica Antissocial Borderline Histriônico Narcisista
Principal medo Perder liberdade/controle Abandono Ser esquecido Não ser admirado
Empatia Quase nula Intensa (mas instável) Superficial Baixa ou ausente
Remorso Não sente Sente demais Sente quando perde atenção Só se for exposto
Relacionamentos Explora os outros Idealiza e desvaloriza Intensos e superficiais Precisa de admiração constante
Impulsividade Muito alta (criminosa) Muito alta (autodestrutiva) Moderada Baixa (controlada)
Reação à crítica Agressão ou indiferença Raiva ou desespero Drama/teatralidade Raiva narcísica ou frieza

4. Características gerais que todos têm em comum

Emoções intensas e pouco reguladas, impulsividade (em graus diferentes), dificuldade em manter relacionamentos estáveis e duradouros, maior risco de abuso de substâncias, comportamentos autodestrutivos ou que ferem os outros, crises interpessoais frequentes, sensação interna de vazio ou descontrole, e um padrão que causa sofrimento significativo – seja para a própria pessoa, seja para quem convive com ela. É por isso que o Cluster B é conhecido como o grupo dos “dramáticos e imprevisíveis”.

5. Por que o Cluster B gera tanto impacto nos relacionamentos

Porque todos os quatro transtornos mexem diretamente com a capacidade de vínculo seguro. Um borderline pode te idealizar e depois te odiar em 24 horas. Um narcisista te coloca num pedestal e te derruba quando não serve mais. Um histriônico te encanta com energia magnética e depois te esgota com dramas constantes. Um antissocial te manipula sem nenhum peso na consciência. Quem convive acaba vivendo numa montanha-russa emocional que deixa sequelas profundas – e muitas vezes nem entende o que está acontecendo.

6. Diagnóstico diferencial: como não confundir um com o outro

O borderline tem medo de abandono e automutilação – os outros não. O narcisista precisa de admiração, não apenas atenção (histriônico). O antissocial não sente culpa – todos os outros sentem em algum grau. O histriônico é teatral e sedutor, mas não necessariamente grandioso. Muitas vezes há comorbidade (borderline + traços narcisistas é comum), mas o diagnóstico principal é definido pelo padrão mais dominante e pelo sofrimento principal da pessoa.

7. Tratamento: o que realmente funciona para cada um

Terapia é o pilar para todos. DBT (Terapia Comportamental Dialética) é ouro para borderline. Terapia do Esquema e TCC para narcisista e histriônico. Programas estruturados (comunidades terapêuticas, grupos) para antissocial com histórico criminal. Medicamentos só para sintomas específicos (ansiedade, depressão, impulsividade grave). Prognóstico melhora muito quando a pessoa reconhece o problema e se compromete – o que nem sempre acontece, principalmente no antissocial e no narcisista puro.

8. Como conviver ou se proteger de alguém com Cluster B

Estabeleça limites claros e consistentes, não entre no jogo emocional, valide sentimentos sem ceder a manipulações, proteja sua saúde mental (terapia para você também ajuda), aprenda a identificar os padrões, e – se necessário – saia do ciclo. Você não é responsável por curar ninguém. Amor não é suficiente para consertar um transtorno de personalidade não tratado.

9. Mitos e verdades sobre o Cluster B

Todos são manipuladores? Nem sempre intencionalmente. Todos são perigosos? Não – antissocial com histórico criminal sim, os outros nem sempre. Dá pra mudar? Sim, com tratamento sério e vontade real. São todos “maus”? Não. São pessoas com feridas profundas que aprenderam formas disfuncionais de sobreviver emocionalmente.

10. Perguntas frequentes (FAQ)

P: Posso ter traços de mais de um transtorno do Cluster B?
R: Sim, comorbidade e traços mistos são comuns.

P: Quem tem Cluster B pode amar de verdade?
R: Sim, mas ama do jeito que aprendeu – muitas vezes de forma intensa, instável e dolorosa.

P: É possível curar completamente?
R: Não existe “cura” total, mas com terapia é possível viver de forma funcional e com relações saudáveis.

Se você convive ou suspeita de algum transtorno do Cluster B e precisa de orientação profissional:
WhatsApp +55 51 99504 7094 | contato@psicologo-borderline.online

Existe tratamento. Existe esperança. E você não precisa enfrentar isso sozinho.

 

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