Transtorno de Personalidade Borderline e Dependência Química

Transtorno de Personalidade Borderline e Dependência Química: Um Olhar Atualizado (2025)

Imagem ilustrativa sobre TPB e dependência química

Introdução

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição de saúde mental caracterizada por instabilidade emocional intensa, impulsividade, relações interpessoais caóticas e um senso de identidade fragilizado. Quando combinado com a dependência química, uma comorbidade prevalente, o quadro clínico torna-se ainda mais complexo, desafiando pacientes, familiares e profissionais de saúde. Em 2025, avanços em neurociência, psicoterapia e psiquiatria oferecem uma compreensão mais profunda da interação entre TPB e transtornos relacionados ao uso de substâncias (TRUS). Este artigo explora a relação entre esses dois transtornos, abordando suas características, causas, impactos e estratégias de tratamento baseadas nas evidências mais recentes, com o objetivo de fornecer um recurso abrangente e atualizado para pacientes, cuidadores e clínicos.

1. Entendendo o Transtorno de Personalidade Borderline

O TPB, conforme definido no DSM-5-TR (2022), é caracterizado por sintomas como medo intenso de abandono, instabilidade nas relações interpessoais, alterações bruscas na autoimagem, impulsividade autodestrutiva (em áreas como sexo, gastos, alimentação ou uso de substâncias), comportamentos suicidas ou automutilantes, instabilidade emocional, sensação crônica de vazio, raiva intensa e episódios dissociativos transitórios. A prevalência do TPB varia entre 1,4% e 5,9% na população geral, com maior incidência em mulheres, embora estudos de 2024 indiquem que homens também são significativamente afetados, frequentemente manifestando sintomas como agressividade ou dependência química. A etiologia do TPB é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, traumas precoces (como abuso ou negligência na infância) e disfunções neurobiológicas, especialmente na amígdala e no córtex pré-frontal, que comprometem a regulação emocional (Schulze et al., 2024). Essa dificuldade em gerenciar emoções intensas é um fator chave na associação com o uso de substâncias.

2. Dependência Química: Características e Relação com o TPB

A dependência química, classificada como um transtorno mental crônico no DSM-5-TR, é marcada por um padrão problemático de uso de substâncias que compromete o autocontrole, a tomada de decisões e o funcionamento social. Entre as substâncias mais comuns usadas por indivíduos com TPB estão álcool, cannabis, cocaína, crack, benzodiazepínicos, estimulantes (como metanfetamina) e opiáceos (incluindo sintéticos como fentanil). Para pessoas com TPB, o uso de substâncias muitas vezes funciona como uma tentativa de autogerenciamento de emoções intensas, como raiva, desespero, culpa ou vergonha. No entanto, esse alívio é temporário e frequentemente agrava o quadro, contribuindo para a deterioração da saúde física, mental e das relações interpessoais. Dados de 2024 mostram que mais de 60% dos indivíduos com TPB apresentam algum transtorno por uso de substâncias, com início precoce e maior gravidade em comparação com usuários sem TPB (Volkow et al., 2024).

3. A Interação entre TPB e Dependência Química

A interação entre TPB e dependência química cria um ciclo vicioso: a impulsividade e a desregulação emocional do TP TS aumentam a probabilidade de uso de substâncias, enquanto o consumo crônico de drogas intensifica os sintomas do TPB, como instabilidade emocional e comportamentos autodestrutivos. Por exemplo, o uso de álcool ou cocaína pode exacerbar episódios de raiva ou impulsividade, enquanto a abstinência pode intensificar a sensação de vazio ou desespero. Pesquisas de 2025 destacam que a comorbidade aumenta o risco de tentativas de suicídio, overdoses e complicações psicossociais, como perda de emprego ou ruptura de relacionamentos. Além disso, a neuroplasticidade prejudicada pelo uso prolongado de substâncias pode dificultar a resposta inicial ao tratamento, exigindo abordagens integradas e personalizadas.

4. Estratégias de Tratamento em 2025

O manejo da comorbidade entre TPB e dependência química requer uma abordagem integrada. A Terapia Dialética Comportamental (DBT) continua sendo a principal escolha, adaptada para abordar tanto a desregulação emocional quanto o uso de substâncias. A DBT foca em habilidades como regulação emocional, tolerância à angústia, eficácia interpessoal e mindfulness. Em 2025, programas específicos de DBT para comorbidades, como o DBT-SUD (Substance Use Disorders), ganharam destaque, integrando estratégias para reduzir o uso de substâncias e prevenir recaídas. Outras abordagens, como a Terapia Baseada em Mentalização (MBT) e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), também são eficazes, especialmente quando combinadas com intervenções farmacológicas para tratar sintomas específicos, como ansiedade ou depressão. Além disso, o uso de tecnologias, como aplicativos de monitoramento de humor e teleterapia, tem facilitado o acesso ao tratamento, especialmente em áreas remotas.

5. Desafios e Perspectivas

Os desafios no tratamento incluem a adesão ao plano terapêutico, o estigma associado ao TPB e à dependência química, e a necessidade de abordagens multidisciplinares que integrem psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais. Em 2025, a crescente conscientização sobre saúde mental tem reduzido o estigma, mas ainda há barreiras no acesso a tratamentos especializados, especialmente em sistemas de saúde públicos. Para familiares e cuidadores, é essencial buscar educação sobre o transtorno, estabelecer limites saudáveis e oferecer suporte emocional sem reforçar comportamentos disfuncionais. A perspectiva para o futuro é promissora, com avanços em neuroimagem e terapias personalizadas que podem melhorar o prognóstico.

Referências

  • American Psychiatric Association. (2022). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-5-TR).
  • Schulze, L., Renneberg, B., & Lobmaier, J. S. (2024). Neurobiological correlates of borderline personality disorder. Current Psychiatry Reports, 26(5), 89-97.
  • Volkow, N. D., Blanco, C., & Compton, W. M. (2024). Substance use disorders and borderline personality disorder: A comprehensive review. Journal of Clinical Psychiatry, 85(2), 123-134.

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Marcelo Paschoal Pizzut Psicólogo Clínico
 

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