
Suportar um sofrimento intenso, seja emocional, psicológico ou físico, é uma experiência desafiadora que exige resiliência e estratégias de enfrentamento. Especialistas em psicologia e saúde mental discutem várias abordagens para lidar com esse tipo de sofrimento, e muitas delas envolvem tanto o entendimento do sofrimento quanto a implementação de práticas que podem ajudar a minimizar o impacto negativo sobre o indivíduo. A seguir, algumas das principais perspectivas e recomendações de especialistas:
1. Reconhecer a Realidade do Sofrimento
Especialistas, como Viktor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, afirmam que o primeiro passo para lidar com um sofrimento profundo é aceitar sua existência. Frankl, em sua obra Em Busca de Sentido, argumenta que, quando não podemos evitar o sofrimento, podemos escolher como dar sentido a ele. Ele sugere que a capacidade de encontrar um propósito ou significado, mesmo nas situações mais dolorosas, pode ser uma maneira poderosa de resistir ao sofrimento.
2. Desenvolver Resiliência Emocional
A resiliência é um conceito central em muitas abordagens terapêuticas, e especialistas sugerem que é fundamental trabalhar para fortalecer a resiliência emocional diante do sofrimento. Isso envolve a capacidade de se recuperar de adversidades e continuar funcionando de maneira adaptativa. Karen Reivich e Andrew Shatte, autores de The Resilience Factor, propõem que a resiliência pode ser cultivada através de práticas como o otimismo realista, o fortalecimento das relações sociais e a prática de autocuidado. Essas estratégias ajudam a pessoa a manter o equilíbrio emocional e reduzir a vulnerabilidade ao sofrimento excessivo.
3. Foco no Momento Presente e Mindfulness
Práticas de mindfulness e meditação são frequentemente recomendadas para lidar com o sofrimento intenso. Jon Kabat-Zinn, criador do programa de Redução de Estresse Baseada em Mindfulness (MBSR), enfatiza que a capacidade de estar plenamente presente no momento pode ajudar a aliviar a dor emocional, permitindo que a pessoa se distancie da ansiedade sobre o futuro e da ruminação sobre o passado. Mindfulness ajuda a aceitar o sofrimento como parte da experiência humana, sem se identificar totalmente com ele.
4. A Importância do Suporte Social
A rede de apoio social é uma das formas mais eficazes de lidar com o sofrimento. Segundo Brené Brown, especialista em vulnerabilidade e resiliência, o acolhimento social e o apoio de pessoas próximas são cruciais para enfrentar situações dolorosas. Ter um círculo de apoio com o qual a pessoa possa compartilhar seus sentimentos, buscar compreensão e se sentir amparada pode reduzir significativamente o impacto emocional do sofrimento.
5. Aceitação e Processamento do Sofrimento
A aceitação é um conceito central em muitas terapias, como a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), desenvolvida por Steven Hayes. Essa abordagem sugere que, em vez de lutar contra o sofrimento, as pessoas devem aceitar a dor como uma parte natural da experiência humana. Ao fazer isso, elas podem se libertar da tentativa constante de evitar ou controlar o sofrimento, o que muitas vezes aumenta o sofrimento. A aceitação permite que a pessoa lide com a dor de maneira mais tranquila, sem que ela defina sua identidade.
6. Expressão e Processamento Emocional
Especialistas frequentemente enfatizam a importância de expressar emoções como uma maneira de aliviar o sofrimento. Daniel Goleman, autor de Inteligência Emocional, defende que reconhecer e expressar as emoções de forma saudável é vital para a saúde mental. Isso pode incluir falar com um terapeuta, escrever em um diário ou compartilhar sentimentos com um amigo confiável. Ao externalizar o sofrimento, a pessoa pode processá-lo de maneira mais eficaz e não ficar sobrecarregada por ele.
7. Terapia e Tratamentos Psicológicos
Diante de um sofrimento intenso, especialistas recomendam que as pessoas busquem ajuda profissional, especialmente se o sofrimento se tornar crônico ou incapacitante. Terapias cognitivas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), podem ajudar as pessoas a reestruturar pensamentos negativos que amplificam o sofrimento. Além disso, abordagens como a Terapia Comportamental Dialética (DBT) e a Terapia Psicodinâmica podem ser eficazes em ajudar os indivíduos a processar traumas passados e as emoções intensas que surgem durante momentos de dor.
8. Autocompaixão e Cuidados Pessoais
A autocompaixão, como sugerido por Kristin Neff, é uma prática importante para lidar com o sofrimento. A autocompaixão envolve tratar-se com a mesma gentileza e compreensão que se ofereceria a um amigo que está passando por um sofrimento semelhante. Essa prática ajuda a pessoa a não se criticar por sentir dor, mas a se acolher e cuidar de si mesma durante o processo de sofrimento.
A partir da perspectiva de Donald Woods Winnicott, o sofrimento psíquico não é apenas algo a ser eliminado, mas um sinal de que o ambiente falhou em algum ponto crucial do desenvolvimento emocional. Para Winnicott, a saúde mental depende da existência de um ambiente suficientemente bom, capaz de sustentar o indivíduo em seus estados de fragilidade. Quando esse ambiente falha precocemente, surgem sentimentos intensos de vazio, angústia e irrealidade, muito comuns em quadros como o Transtorno de Personalidade Borderline. Nessas situações, o sofrimento não é exagero nem fraqueza, mas uma reação legítima a experiências emocionais que não puderam ser simbolizadas. No trabalho clínico, compreender isso é fundamental para evitar leituras moralizantes da dor psíquica. O paciente não sofre porque quer, mas porque precisou se adaptar cedo demais a um mundo que não o acolheu. Essa adaptação precoce, descrita por Winnicott como formação do falso self, gera um funcionamento defensivo que protege o indivíduo, mas cobra um alto preço emocional ao longo da vida adulta. Em muitos atendimentos realizados em contextos clínicos especializados, como os descritos em psicologo-borderline.online, observa-se que o sofrimento intenso está ligado à dificuldade de sentir-se real, vivo e espontâneo nas relações. Do ponto de vista winnicottiano, o tratamento não visa apenas reduzir sintomas, mas reconstruir condições emocionais para que o verdadeiro self possa emergir de forma segura. Estudos e diretrizes institucionais disponíveis no Conselho Federal de Psicologia, na SciELO Brasil e na Fiocruz reforçam a importância de abordagens clínicas que considerem a história emocional do sujeito.
Outro conceito central em Winnicott é o de holding, que se refere à capacidade do ambiente – inicialmente representado pela figura materna e, mais tarde, pelo terapeuta – de sustentar emocionalmente o indivíduo. Quando uma pessoa enfrenta sofrimento psíquico intenso, muitas vezes o que está em jogo não é apenas a presença de sintomas, mas a ausência de um espaço interno seguro onde emoções possam ser sentidas sem risco de colapso. Na clínica contemporânea, especialmente no atendimento a pacientes com histórico de instabilidade emocional, o terapeuta assume simbolicamente essa função de holding, oferecendo previsibilidade, continuidade e acolhimento. Isso não significa resolver problemas pelo paciente, mas estar presente de forma consistente, permitindo que experiências emocionais primitivas sejam revisitadas e integradas. Em casos de Transtorno de Personalidade Borderline, é comum que o sofrimento se intensifique justamente quando o vínculo terapêutico começa a se tornar significativo, pois ele reativa experiências precoces de abandono. Por isso, a constância do enquadre clínico é terapêutica em si. Espaços de cuidado estruturados, como os apresentados em psicólogo especialista em TPB, são fundamentais para oferecer esse tipo de sustentação emocional. Winnicott nos ensina que só é possível entrar em contato com dores profundas quando há alguém que “segura” o paciente emocionalmente, sem invadir, julgar ou abandonar. Políticas públicas e orientações técnicas disponíveis no Ministério da Saúde, no BVS e na Associação Brasileira de Psiquiatria destacam a relevância de vínculos terapêuticos estáveis para o tratamento do sofrimento psíquico grave.
Winnicott também introduziu o conceito de espaço potencial, um território intermediário entre a realidade interna e externa onde o indivíduo pode brincar, criar e simbolizar suas experiências. O sofrimento intenso muitas vezes está associado à perda ou ao empobrecimento desse espaço, levando a uma vida emocional rígida, marcada por extremos e dificuldades de elaboração psíquica. Quando o brincar psíquico não se desenvolve adequadamente, o sujeito tende a viver as emoções de forma crua, sem mediação simbólica. Na prática clínica, isso se manifesta em explosões emocionais, sentimentos de vazio ou impulsividade. A psicoterapia, sob uma ótica winnicottiana, busca restaurar esse espaço potencial, permitindo que o paciente experimente novas formas de ser e de se relacionar. Esse processo é gradual e exige um ambiente terapêutico seguro, onde erros, regressões e ambivalências possam existir. Em iniciativas de cuidado e orientação, como as apresentadas em sobre o atendimento clínico, observa-se que muitos pacientes começam a aliviar seu sofrimento quando conseguem nomear emoções antes vividas apenas no corpo ou no ato. Winnicott acreditava que a criatividade não é privilégio artístico, mas condição básica da saúde mental. Quando o sujeito recupera a capacidade de brincar simbolicamente, o sofrimento deixa de ser apenas dor e passa a ser experiência elaborável. Referências institucionais do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP, da UNIFESP e da Biblioteca de Boas Práticas em Saúde Mental reforçam a importância de intervenções que promovam simbolização e criatividade no cuidado em saúde mental.
No entendimento winnicottiano, o sofrimento psíquico grave está frequentemente ligado à sensação de não existência, uma vivência de vazio que vai além da tristeza comum. Muitos pacientes relatam sentir-se desconectados de si mesmos, como se estivessem apenas funcionando para atender expectativas externas. Winnicott descreveu esse estado como resultado de um desenvolvimento em que o verdadeiro self precisou ser ocultado para garantir a sobrevivência emocional. Essa experiência é particularmente comum em adultos que viveram ambientes imprevisíveis ou emocionalmente intrusivos. A clínica revela que, por trás de comportamentos autodestrutivos ou relações instáveis, há um profundo desejo de sentir-se real. O sofrimento, nesse sentido, torna-se um pedido silencioso de reconhecimento. Abordagens clínicas sensíveis, como as divulgadas em grupos de apoio terapêutico, podem funcionar como espaços intermediários de pertencimento, onde o sujeito começa a se sentir visto sem precisar performar. Para Winnicott, o terapeuta não deve impor interpretações precoces, mas acompanhar o ritmo emocional do paciente, respeitando suas defesas como tentativas de autoproteção. A redução do sofrimento ocorre quando o indivíduo percebe que pode existir sem se adaptar excessivamente. Diretrizes do CFP, do SciELO e da Fiocruz destacam a importância de práticas clínicas éticas e humanizadas nesse processo.
Outro ponto fundamental em Winnicott é a compreensão da regressão terapêutica como um recurso clínico legítimo. Diferente de uma recaída patológica, a regressão, quando sustentada por um ambiente confiável, permite que o paciente reviva estados emocionais precoces que não puderam ser adequadamente cuidados. Em quadros de sofrimento intenso, isso pode se manifestar como dependência temporária do terapeuta, maior sensibilidade emocional ou necessidade de validação constante. Longe de ser um problema, Winnicott via essa regressão como uma oportunidade de reparação emocional. O erro comum é interpretar esses movimentos como resistência ou manipulação, quando na verdade são tentativas de reorganização psíquica. Em contextos clínicos especializados, como os descritos em conteúdos sobre borderline, observa-se que muitos pacientes melhoram quando a regressão é acolhida dentro de limites claros. O sofrimento diminui à medida que experiências emocionais primitivas encontram, pela primeira vez, um ambiente suficientemente bom. Instituições como o Ministério da Saúde, a BVS e a ABP reconhecem a importância de abordagens psicodinâmicas no cuidado de transtornos complexos.
Winnicott também contribuiu de forma significativa para a compreensão da agressividade no sofrimento psíquico. Para ele, a agressividade não é apenas destrutiva, mas uma expressão vital do impulso de existir. Quando o ambiente não suporta essa agressividade, o indivíduo aprende a reprimi-la ou direcioná-la contra si mesmo, gerando sintomas depressivos, automutilação ou culpa excessiva. Na clínica, muitos pacientes sofrem não por sentir raiva, mas por nunca terem podido expressá-la de forma segura. O trabalho terapêutico consiste em ajudar o paciente a reconhecer essa energia como parte legítima de sua vitalidade. Em atendimentos integrados com apoio psiquiátrico, como os apresentados em avaliação psiquiátrica, observa-se que a combinação entre psicoterapia e acompanhamento médico pode reduzir o sofrimento associado a impulsos agressivos mal elaborados. Winnicott defendia que a agressividade reconhecida e simbolizada fortalece o verdadeiro self. Diretrizes clínicas do IPq-HC, da UNIFESP e da BVS MS reforçam a importância de abordagens que não patologizem emoções humanas fundamentais.
O sofrimento intenso também pode ser compreendido, à luz de Winnicott, como uma falha na experiência de continuidade do ser. Quando a vida emocional é marcada por rupturas abruptas, perdas precoces ou inconsistência afetiva, o indivíduo passa a viver em estado de alerta permanente. Essa falta de continuidade gera ansiedade difusa e sensação constante de ameaça. Na prática clínica, isso se traduz em dificuldade de confiar, medo do abandono e necessidade de controle. O trabalho terapêutico busca restaurar essa continuidade por meio de sessões regulares, enquadre estável e presença confiável. Em espaços clínicos estruturados, como os apresentados em regras e orientações do atendimento, o enquadre não é burocracia, mas elemento terapêutico central. Winnicott enfatizava que a previsibilidade do setting permite ao paciente relaxar defesas e entrar em contato com conteúdos dolorosos. Com o tempo, o sofrimento perde sua intensidade esmagadora e passa a ser vivenciado de forma mais integrada. Dados do DATASUS, da SciELO e da Fiocruz indicam que tratamentos contínuos estão associados a melhores desfechos em saúde mental.
Por fim, Winnicott nos convida a olhar o sofrimento não como falha individual, mas como expressão de uma história relacional. Essa perspectiva é profundamente humanizadora e fundamental para práticas clínicas éticas. Ao compreender que o sofrimento intenso tem raízes ambientais, o terapeuta deixa de buscar culpados e passa a oferecer experiências emocionais reparadoras. Em muitos casos, o simples fato de ser escutado de forma autêntica já inicia um processo de alívio psíquico. Iniciativas de acolhimento e contato profissional, como as descritas em contato clínico, facilitam o acesso a esse cuidado. O legado de Winnicott permanece atual justamente por reconhecer a fragilidade humana como parte constitutiva da saúde mental. O sofrimento diminui quando o sujeito encontra um ambiente que o reconhece em sua singularidade. Referências institucionais do CFP, do Ministério da Saúde e da ABP reforçam que o cuidado em saúde mental deve sempre priorizar vínculo, ética e humanidade.
