É só o amor que conhece o que é verdade…

É só o amor que conhece o que é verdade: Vivendo com Transtorno de Personalidade Borderline


Ilustração representando a busca pela verdade emocional no TPB

Mas, o que é a verdade? Já pararam para pensar a respeito disso? Como podemos definir a verdade no contexto de nossas emoções e relacionamentos? Para alguém que vive com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), essa pergunta pode ser ainda mais profunda. A verdade, muitas vezes, está escondida sob camadas de medo, insegurança e intensidade emocional. Inspirado pelo trecho “É só o amor que conhece o que é verdade”, da música Como Nossos Pais, de Elis Regina, quero compartilhar minha jornada com o TPB, explorando como o amor – por si mesmo e pelos outros – pode nos ajudar a encontrar nossa verdade interior.

O que é o Transtorno de Personalidade Borderline?

O Transtorno de Personalidade Borderline é uma condição de saúde mental caracterizada por emoções intensas, relacionamentos instáveis e uma autopercepção flutuante. Segundo o National Institute of Mental Health, o TPB afeta cerca de 1,4% da população adulta, geralmente se manifestando na adolescência ou início da idade adulta. Quem vive com TPB pode experimentar mudanças rápidas de humor, medo intenso de abandono e dificuldade em regular emoções, o que pode transformar o cotidiano em uma busca constante por equilíbrio.

Para mim, viver com TPB é como tentar decifrar uma verdade que está sempre mudando. Um dia, sinto que conheço meu lugar no mundo; no outro, tudo parece incerto. Pequenos eventos, como um comentário mal interpretado, podem desencadear uma tempestade emocional. No entanto, com apoio e autoconhecimento, é possível encontrar uma verdade mais estável – uma que seja guiada pelo amor-próprio e pela compreensão.


Imagem ilustrando a complexidade emocional do TPB

Medo e Esquiva no TPB

Por que escondemos o que sentimos? Por que omitimos nossas verdades? No contexto do TPB, o medo e a esquiva são respostas comuns. O medo de ser abandonado ou rejeitado pode levar alguém com TPB a esconder seus verdadeiros sentimentos, seja para evitar conflitos ou para proteger o outro de uma suposta fragilidade. Eu mesmo já me peguei silenciando minhas emoções por medo de ser “demais” ou de causar uma briga. Mas, com o tempo, percebi que essas omissões só aumentavam a distância entre mim e minha verdade.

No TPB, o medo de ser vulnerável é como uma sombra que acompanha cada interação. Podemos nos esquivar de conversas difíceis para evitar o peso de mais um problema. Mas, como aprendi, esconder a verdade não protege – apenas adia a dor. A verdadeira mudança começa quando enfrentamos esses medos e nos permitimos ser honestos, tanto conosco quanto com os outros.


Imagem simbolizando a vulnerabilidade no TPB

Minha Jornada com o TPB

Quando recebi o diagnóstico de TPB, há alguns anos, senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Minha vida parecia um ciclo de emoções intensas, relacionamentos frágeis e uma constante busca por uma verdade que eu não conseguia alcançar. O amor, que deveria ser uma força de conexão, muitas vezes parecia um peso, carregado de medo e insegurança. Eu me perguntava: qual é a minha verdade? Como posso amar e ser amado quando minhas emoções são tão avassaladoras?

Com a ajuda de um terapeuta, comecei a explorar essas questões. A Terapia Comportamental Dialética (TCD), desenvolvida por Marsha Linehan, foi um divisor de águas. Ela me ensinou a identificar meus gatilhos, a pausar antes de reagir impulsivamente e a encontrar uma verdade mais equilibrada dentro de mim. O amor, que antes parecia um ideal inatingível, tornou-se uma ferramenta de cura – primeiro, o amor por mim mesmo.


Imagem representando o amor-próprio no TPB

Sintomas do TPB: Desvendando a Verdade

O TPB é como uma busca constante pela verdade em meio a emoções intensas. Aqui estão alguns sintomas comuns, conforme descrito pela Mayo Clinic, adaptados para o contexto:

  • Medo de abandono: Uma preocupação intensa de que pessoas queridas irão embora, levando a comportamentos de apego ou afastamento.
  • Relacionamentos instáveis: Conexões que oscilam entre idealização e desvalorização, dificultando a confiança mútua.
  • Autopercepção instável: Uma sensação de não saber quem você é, como se sua verdade mudasse constantemente.
  • Comportamentos impulsivos: Ações como gastos excessivos ou automutilação, muitas vezes como tentativa de aliviar a dor emocional.
  • Instabilidade emocional: Mudanças rápidas de humor, desencadeadas por eventos menores, que podem obscurecer a verdade emocional.
  • Sensação de vazio: Um sentimento persistente de hollow, como se a verdade estivesse fora de alcance.
  • Raiva intensa: Dificuldade em controlar a raiva, que pode levar a conflitos e mal-entendidos.

Esses sintomas podem fazer com que a verdade pareça um conceito distante. Para mim, o maior desafio era distinguir entre o que eu sentia e o que era real. Com o tempo, aprendi que a verdade não está nas emoções intensas, mas na capacidade de observá-las com clareza e compaixão.


Imagem simbolizando a busca pela verdade no TPB

Relacionamentos e o TPB: A Verdade do Amor

No fundo, todos queremos ser felizes e encontrar paz, mas nem todos estão preparados para construir relacionamentos que reflitam essa verdade. Com o TPB, o amor pode ser uma força avassaladora, como uma música que nos leva ao céu ou ao inferno. Já vivi relacionamentos em que o medo de abandono me fazia esconder meus sentimentos, criando barreiras entre mim e meu parceiro. Com o tempo, essas pequenas omissões cresciam, tornando o outro um “desconhecido”.

Um relacionamento com TPB exige comunicação aberta e coragem para enfrentar a vulnerabilidade. Aprendi que culpar o outro só afasta a verdade. Em vez disso, reconhecer minha própria responsabilidade – como reagir impulsivamente ou projetar inseguranças – foi essencial para construir conexões mais saudáveis.


Imagem representando a conexão emocional no TPB

Estratégias para Encontrar a Verdade com TPB

Viver com TPB é como dançar conforme a música da vida, adaptando-se a novos ritmos e desafios. Somos seres complexos, sempre em evolução, e o TPB amplifica essa complexidade. Aqui estão algumas estratégias que me ajudaram a encontrar minha verdade:

  • Terapia Comportamental Dialética (TCD): A TCD me ensinou a observar minhas emoções sem julgamento, identificar gatilhos e responder de forma mais equilibrada. É como aprender a tocar uma música nova, nota por nota.
  • Autocuidado: Práticas como meditação, exercícios físicos e escrita me ajudam a manter o equilíbrio. Escrever este blog, por exemplo, é uma forma de expressar minha verdade.
  • Rede de apoio: Amigos e familiares que entendem o TPB são como aliados que me ajudam a enxergar a verdade com mais clareza.
  • Comunicação honesta: Aprender a expressar sentimentos sem medo de julgamento é essencial. Em vez de esconder a dor, agora tento compartilhá-la de forma construtiva.
  • Jornal de emoções: Anotar pensamentos e sentimentos me ajuda a identificar padrões e a encontrar uma verdade mais estável.

Essas estratégias não eliminam os desafios do TPB, mas me ajudam a navegar por eles com mais confiança. A TCD, em particular, foi como encontrar uma partitura para minha vida, permitindo-me compor uma melodia mais harmoniosa.


Imagem simbolizando a paz interior no TPB

Relacionamentos Saudáveis com TPB

Relacionamentos saudáveis são como uma engrenagem onde cada peça tem seu papel. Com o TPB, é fácil esquecer que somos dois seres distintos, unidos pelo amor, mas com necessidades e verdades próprias. Já me vi perdido em relacionamentos, sentindo que o outro era um “desconhecido” porque eu projetava meus medos e inseguranças. Hoje, entendo que um relacionamento saudável exige comunicação, respeito mútuo e a coragem de sermos verdadeiros.

Para quem vive com TPB, é importante reconhecer que o amor não é apenas uma emoção, mas uma escolha diária. Isso significa ouvir o outro, expressar suas necessidades e trabalhar juntos para construir uma verdade compartilhada. Meus amigos e meu fiel companheiro felino me ensinaram que o amor – seja romântico, amigável ou por si mesmo – é a chave para encontrar paz.

Conclusão: A Verdade do Amor-Próprio

No fundo, todos queremos ser felizes, ter paz e alcançar nossos objetivos. Viver com TPB é uma jornada de autodescoberta, onde a verdade muitas vezes está escondida sob camadas de medo e intensidade emocional. Hoje, estou solteiro, mas não sozinho. Tenho minhas amizades, meu gato e este blog, que me permitem explorar minha verdade e compartilhá-la com vocês.

Se você vive com TPB, saiba que sua verdade é válida. Busque ajuda profissional, conecte-se com quem te entende e acredite que o amor – especialmente o amor-próprio – pode guiá-lo para a paz. Como diz a música, “é só o amor que conhece o que é verdade”. Continue buscando sua verdade, porque sua história é única e merece ser vivida com coragem e esperança.

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