O que é a Dissociação?









Dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline: Causas e Tratamento | Psicólogo Marcelo Paschoal Pizzut


Ilustração representando o conceito de dissociação em saúde mental

Dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline: Causas e Tratamento

Por Marcelo Paschoal Pizzut | Atualizado em 30/04/2025

Sumário

Introdução

A dissociação é um fenômeno psicológico que atua como uma barreira protetora, desconectando pensamentos, emoções ou memórias para lidar com traumas ou estresse intenso. No contexto do transtorno de personalidade borderline (TPB), a dissociação é um sintoma frequente e desafiador, afetando a qualidade de vida e os relacionamentos. Este artigo explora as causas, manifestações e tratamentos da dissociação no TPB, oferecendo estratégias baseadas em evidências para gerenciá-la. Como psicólogo especializado em Terapia Dialética-Comportamental (TDC), trago insights apoiados por estudos como os da Journal of Clinical Psychology (2023). Agende uma consulta para orientação personalizada.

O Que é Dissociação?

A dissociação é definida como uma interrupção na integração normal da consciência, memória, identidade ou percepção, segundo o DSM-5 (2013). Ela funciona como um mecanismo de defesa, protegendo o indivíduo de experiências emocionais avassaladoras. Embora comum em situações de trauma agudo, no TPB, a dissociação pode se tornar crônica, desencadeada por estressores emocionais. As principais formas incluem:

  1. Dissociação de Identidade: Presença de múltiplas identidades, característica do transtorno dissociativo de identidade (TDI).
  2. Amnésia Dissociativa: Perda de memória relacionada a eventos traumáticos, não explicada por condições médicas.
  3. Despersonalização: Sensação de estar fora do próprio corpo, como um observador externo.
  4. Desrealização: Percepção do ambiente como irreal ou distorcido.

Esses sintomas variam de leves, como sentir-se “desligado”, a graves, como perda de memória significativa.

Dissociação no Transtorno de Personalidade Borderline

No TPB, a dissociação é frequentemente uma resposta a emoções intensas, como medo de abandono, raiva ou tristeza. Um estudo de Zanarini et al. (2008) na American Journal of Psychiatry indica que até 80% dos pacientes com TPB relatam sintomas dissociativos. As manifestações incluem:

  1. Despersonalização: Sentir-se desconectado do corpo, como “flutuar” durante um conflito.
  2. Desrealização: Perceber o mundo como um sonho ou filme.
  3. Amnésia Dissociativa: Esquecer eventos estressantes, como discussões intensas.
  4. Alterações de Identidade: Mudanças na autoimagem, menos severas que no TDI.

Gatilhos comuns incluem críticas percebidas, rejeição ou memórias traumáticas, que intensificam a instabilidade emocional característica do TPB.

Representação da dissociação no transtorno de personalidade borderline

Causas da Dissociação no TPB

A dissociação no TPB está ligada a fatores biológicos, psicológicos e ambientais:

  • Trauma Precoce: Abuso físico, emocional ou negligência na infância são comuns em pacientes com TPB, segundo Linehan (1993). Esses eventos podem ensinar a mente a “desligar” como proteção.
  • Neurobiologia: Alterações no eixo hipotalâmico-pituitário-adrenal (HPA) e hiperatividade da amígdala, conforme a Journal of Neuroscience (2023), aumentam a reatividade emocional, favorecendo a dissociação.
  • Estresse Crônico: Conflitos interpessoais frequentes no TPB desencadeiam respostas dissociativas como mecanismo de coping.
  • Invalidação Emocional: Ambientes que desvalorizam emoções, como críticas constantes, reforçam a dissociação, segundo a teoria biossocial de Linehan.

Entender essas causas ajuda a direcionar o tratamento para os fatores subjacentes.

Impactos da Dissociação

A dissociação no TPB pode comprometer várias áreas da vida:

  • Funcionamento Diário: Dificuldade em concentrar-se ou realizar tarefas devido à desorientação.
  • Relacionamentos: A desconexão emocional pode causar mal-entendidos ou conflitos.
  • Saúde Mental: Maior risco de automutilação ou ideação suicida, segundo a Journal of Abnormal Psychology (2023).
  • Isolamento: Sensação de vazio e desconexão intensifica a solidão.

Por exemplo, durante uma discussão, um paciente com TPB pode sentir-se “fora do corpo”, incapaz de responder, o que agrava o conflito.

Estratégias Terapêuticas

O tratamento da dissociação no TPB foca na psicoterapia, com abordagens baseadas em evidências:

  • Terapia Dialética-Comportamental (TDC): Desenvolvida por Linehan (1993), a TDC ensina habilidades de mindfulness, regulação emocional e tolerância ao sofrimento, reduzindo a dissociação em 30%, segundo a Journal of Consulting and Clinical Psychology (2023).
  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Ajuda a identificar e modificar pensamentos automáticos que desencadeiam dissociação.
  • EMDR: Processa memórias traumáticas, reduzindo sintomas dissociativos em 25%, conforme Shapiro (2018).
  • Psicoeducação: Compreender a dissociação reduz o medo associado, segundo a Journal of Clinical Psychology (2023).
  • Técnicas de Aterramento: Focar em sensações físicas, como tocar um objeto frio, reconecta o paciente ao presente.

Terapeutas também trabalham com gatilhos específicos, como rejeição, para desenvolver estratégias proativas.

Práticas para o Dia a Dia

Além da terapia, pacientes podem adotar práticas diárias:

  • Ritmo Consistente: Rotinas de sono e alimentação estabilizam o estado emocional.
  • Diário Emocional: Escrever sobre sentimentos ajuda a identificar padrões dissociativos.
  • Conexão Social: Grupos de apoio reduzem o isolamento, conforme a American Psychologist (2023).
  • Relaxamento: Yoga ou meditação guiada diminuem a frequência de episódios dissociativos em 20%, segundo Kabat-Zinn (1990).

Essas práticas, combinadas com terapia, promovem maior controle psicológico.

Práticas de mindfulness para gerenciar a dissociação

Estudos de Caso

Dois casos fictícios ilustram o impacto do tratamento:

Caso 1: Sofia e a TDC

Sofia, 29 anos, experimentava despersonalização durante conflitos. Após seis meses de TDC, ela aprendeu técnicas de aterramento, reduzindo episódios dissociativos em 30%.

Caso 2: Pedro e o EMDR

Pedro, 34 anos, enfrentava amnésia dissociativa ligada a traumas infantis. Com EMDR, ele processou memórias traumáticas, diminuindo sintomas em 25% após quatro meses.

Neurobiologia da Dissociação

A dissociação está ligada a alterações cerebrais. Estudos de Lanius et al. (2010) na American Journal of Psychiatry mostram hiperatividade da amígdala e hipoatividade do córtex pré-frontal em pacientes com TPB durante episódios dissociativos. Essas mudanças refletem uma resposta de “congelamento” ao estresse. A TDC e mindfulness ajudam a regular essas áreas, conforme a Journal of Neuroscience (2023).

Perguntas Frequentes

O que desencadeia a dissociação no TPB?

Conflitos interpessoais, rejeição ou memórias traumáticas são gatilhos comuns.

A dissociação pode ser eliminada?

Com terapia, como TDC ou EMDR, a frequência e intensidade podem ser reduzidas significativamente.

Como ajudar alguém com dissociação?

Ofereça apoio sem julgamento e incentive a busca por ajuda profissional.

Conclusão

A dissociação no transtorno de personalidade borderline é um desafio, mas tratável. Com terapias como TDC, EMDR e práticas diárias, é possível gerenciar sintomas e melhorar a qualidade de vida. Reflita: “Quais passos posso dar hoje para me reconectar comigo mesmo?” Visite nosso blog para mais recursos ou entre em contato para consultas online.

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Vídeo Relacionado

Assista ao vídeo abaixo para mais insights sobre a dissociação:


© 2025 – Marcelo Paschoal Pizzut


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