Transtorno de Persoalidade Borderline – Idealização e Desvalorização

Alternância entre Idealização e Desvalorização no TPB: Entenda em 2025

Imagem ilustrativa sobre TPB

A alternância entre idealização e desvalorização é uma característica central do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), um transtorno mental que afeta cerca de 1,6% da população global, com impactos significativos nas relações interpessoais e na estabilidade emocional. Esses padrões, frequentemente chamados de “pensamento dicotômico” ou “tudo ou nada”, refletem mudanças extremas na percepção que o indivíduo com TPB tem de si mesmo, dos outros e do ambiente ao seu redor. Essas oscilações podem levar a conflitos, mal-entendidos e sofrimento tanto para o indivíduo quanto para aqueles que o cercam (Paris, 2005). Neste artigo, atualizado para 2025, exploramos em profundidade esses mecanismos, suas causas, consequências e abordagens de tratamento, oferecendo uma visão detalhada para pacientes, familiares e profissionais de saúde mental.

Compreendendo a Idealização e a Desvalorização

Na fase de idealização, o indivíduo com TPB tende a supervalorizar outra pessoa, enxergando-a como perfeita, sem falhas ou como a resposta para suas necessidades emocionais. Esse processo pode ocorrer em relacionamentos românticos, amizades ou até com figuras de autoridade, como terapeutas. No entanto, quando a realidade não corresponde a essa visão idealizada – seja por um pequeno desentendimento, uma crítica ou uma expectativa não atendida – o indivíduo pode mudar rapidamente para a desvalorização. Nessa fase, a mesma pessoa passa a ser vista como indigna, decepcionante ou até prejudicial. Essas mudanças bruscas, conhecidas como “splitting”, refletem a dificuldade em integrar aspectos positivos e negativos em uma visão equilibrada (Zanarini et al., 2000). Essa alternância é um dos critérios diagnósticos do TPB, conforme descrito no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) (American Psychiatric Association, 2013).

Causas da Alternância: Fatores Psicológicos e Biológicos

As causas dessa dinâmica são multifacetadas, envolvendo fatores psicológicos, biológicos e ambientais. Do ponto de vista psicológico, a idealização e a desvalorização podem ser tentativas de gerenciar emoções intensas ou de lidar com um senso de identidade frágil, características centrais do TPB. Marsha Linehan (1993) sugere que esses comportamentos podem surgir como uma resposta a experiências de rejeição ou abandono, muitas vezes enraizadas em traumas de infância ou relações disfuncionais. Biologicamente, estudos recentes indicam que a hiperatividade da amígdala, uma região do cérebro responsável pelo processamento emocional, pode intensificar reações emocionais extremas em indivíduos com TPB (Schulze et al., 2019). Além disso, fatores ambientais, como estresse crônico ou falta de validação emocional no passado, também desempenham um papel significativo.

Impactos nas Relações e no Bem-Estar

Essa alternância pode ser profundamente desafiadora, tanto para o indivíduo com TPB quanto para aqueles ao seu redor. Para o próprio indivíduo, essas mudanças podem gerar sentimentos de confusão, culpa ou vergonha, especialmente quando percebem o impacto de seus comportamentos nos outros. Para amigos, familiares ou parceiros, o comportamento pode parecer imprevisível, levando a mal-entendidos ou conflitos. Em 2025, com o aumento da conscientização sobre saúde mental, é crucial desmistificar esses padrões, reconhecendo que eles não são intencionais, mas sim parte de um transtorno tratável. A instabilidade nas relações é um dos principais critérios diagnósticos do TPB, conforme delineado no DSM-5, e pode afetar a qualidade de vida em áreas como trabalho, amizades e vida familiar.

Abordagens de Tratamento Atualizadas para 2025

O tratamento do TPB avançou significativamente, e em 2025, terapias baseadas em evidências continuam sendo a base para o manejo da idealização e desvalorização. A Terapia Dialética Comportamental (DBT), desenvolvida por Marsha Linehan (2014), é amplamente reconhecida como uma das abordagens mais eficazes. A DBT ensina habilidades práticas em quatro áreas principais:

  • Regulação Emocional: Técnicas para identificar e gerenciar emoções intensas de forma saudável.
  • Tolerância à Angústia: Estratégias para enfrentar crises sem recorrer a comportamentos impulsivos.
  • Eficácia Interpessoal: Habilidades para construir e manter relacionamentos mais estáveis.
  • Mindfulness: Práticas para aumentar a consciência plena e reduzir o pensamento dicotômico.

Além da DBT, outras terapias, como a Terapia Baseada em Mentalização (MBT), ajudam os indivíduos a compreender melhor suas próprias emoções e as dos outros, reduzindo a polarização nas percepções. Em 2025, o uso de tecnologias, como aplicativos de saúde mental e teleterapia, tem ampliado o acesso a essas intervenções, permitindo que mais pessoas busquem apoio especializado de forma prática.

Como Apoiar Alguém com TPB

Conviver com alguém que tem TPB pode ser desafiador, mas com empatia e estratégias adequadas, é possível construir relacionamentos mais saudáveis. Algumas dicas incluem: educar-se sobre o transtorno, estabelecer limites claros para proteger o próprio bem-estar, validar os sentimentos do outro sem reforçar comportamentos disfuncionais e incentivar a busca por ajuda profissional. A paciência e a compreensão são fundamentais para reduzir o estigma e promover um ambiente de apoio.

Referências

  • American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.).
  • Linehan, M. (1993). Cognitive-behavioral treatment of borderline personality disorder. Guilford Press.
  • Linehan, M. (2014). DBT Skills Training Manual (2nd ed.). Guilford Press.
  • Paris, J. (2005). Understanding self-mutilation in borderline personality disorder. Harvard Review of Psychiatry, 13(3), 179-185.
  • Schulze, L., Renneberg, B., & Lobmaier, J. S. (2019). Gaze perception in borderline personality disorder. Current Psychiatry Reports, 21(12), 126.
  • Zanarini, M. C., Frankenburg, F. R., DeLuca, C. J., Hennen, J., Khera, G. S., & Gunderson, J. G. (2000). The pain of being borderline: Dysphoric states specific to borderline personality disorder. Harvard Review of Psychiatry, 8(1), 5-21.

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Marcelo Paschoal Pizzut Psicólogo Clínico

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