Por que Borderlines se Sabotam? Entenda a Dor por Trás do Comportamento
O sol se põe, mas a mente não descansa. Os pensamentos giram em círculos, como um disco riscado que repete a mesma melodia de autodúvida. “Por que fiz isso de novo?” A mão treme ao segurar o copo, enquanto a voz interna sussurra: “Você não merece algo melhor.”
Assim vive quem enfrenta o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) – preso em um labirinto de emoções intensas, onde cada parede reflete um medo diferente. A autossabotagem não é um ato deliberado, mas um reflexo condicionado pela dor. É como se a pessoa carregasse um interruptor que, diante de qualquer possibilidade de felicidade, disparasse um alerta: “Perigo! Isso não vai durar.”
O Cenário Interno
Imagine um palco onde dois atores brigam pelo controle:
- A Criança Assustada, que acredita piamente que qualquer erro a torna indigna de amor.
- O Crítico Implacável, que amplifica cada falha ao volume máximo.
Eles alternam os papéis. Às vezes, a pessoa com borderline é a criança, escondendo-se atrás de explosões de raiva (“Deixe-me sozinha!”). Outras vezes, é o crítico, sabotando relacionamentos (“Melhor terminar antes que me abandonem”) ou oportunidades (“Não sou boa o suficiente”).
Os Sinais Visíveis
Nos gestos, a autossabotagem se revela:
- A mão que apaga mensagens antes de enviar, por medo de incomodar.
- A recusa a elogios, como se fossem mentiras piedosas.
- As desculpas para evitar compromissos (“Tenho algo mais importante”), quando, na verdade, o medo é o convidado não anunciado.
Até mesmo o corpo fala: ombros curvados, como se carregassem um peso invisível, e olhos que fogem do contato, como se espelhassem uma vergonha sem nome.
O Alívio que Machuca
Paradoxalmente, a autossabotagem traz um alívio perverso. Quando a pessoa com borderline:
- Bebe até apagar a consciência, está tentando silenciar a mente.
- Provoca uma discussão, está testando (“Você vai embora mesmo se eu for difícil?”).
- Falta a uma entrevista de emprego, está antecipando a rejeição para controlá-la.
É como se, ao cavar um buraco no chão, ela encontrasse um refúgio temporário – mesmo sabendo que, cedo ou tarde, a terra vai desabar.
A Luz no Fim do Túnel
Mas há movimento nesse cenário. Nos dias bons, surgem brechas:
O diário onde ela escreve, pela primeira vez, “Talvez eu não seja tão ruim”.
A terapia em que chora, mas não se pune por isso.
O amigo que insiste: “Eu não vou embora” – e, dessa vez, ela quase acredita.
A autossabotagem não some de um dia para o outro, mas, com o tempo, seus espinhos podem ser domados.
Por que Borderlines se Sabotam? Entenda a Dor por Trás do Comportamento
“Eu me odeio.” “Não mereço ser feliz.” “Por que sempre destruo tudo?”
Se você tem Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ou conhece alguém que vive com essa condição, já deve ter ouvido frases como essas.
A autossabotagem é uma das características mais dolorosas do borderline – e uma das mais incompreendidas.
Neste texto, vamos explorar:
- 🔹 O que leva uma pessoa com borderline a se sabotar?
- 🔹 Como a dor emocional se transforma em comportamentos destrutivos?
- 🔹 É possível quebrar esse ciclo?
1. “Se Eu Me Destruir Primeiro, Ninguém Pode Me Machucar”
Pessoas com borderline muitas vezes agem por um medo intenso de abandono.
O raciocínio (inconsciente) é:
“Se eu me afastar primeiro, me destruir ou afastar os outros, não vou sofrer quando eles me deixarem.”
Isso explica:
- ✅ Relacionamentos instáveis (terminar antes de ser rejeitado).
- ✅ Automutilação (a dor física “alivia” a emocional).
- ✅ Recusa a ajuda (“Não mereço melhor”).
5. Como Quebrar o Ciclo?
A autossabotagem não é “frescura” ou “drama” – é um mecanismo de sobrevivência disfuncional.
O que ajuda?
Terapia Dialética Comportamental (TDC) – Ajuda a regular emoções.
Autocompaixão – Aprender a se tratar com gentileza.
Grupos de apoio – Ver que não está sozinho.
Medicação (se necessário) – Controlar impulsos e depressão.
“A cura não é parar de sentir dor, mas aprender a não transformá-la em autodestruição.”
Conclusão: A Autossabotagem Borderline é um Grito de Socorro
Por trás de cada ato de autodestruição, há uma pessoa em profunda dor, tentando:
- ➡️ Proteger-se do abandono.
- ➡️ Controlar o caos interno.
- ➡️ Expressar o que não consegue colocar em palavras.
Se você se identifica: Busque ajuda. Você não é seu transtorno.
Se conhece alguém assim: Ofereça apoio, mas não se esqueça dos seus limites.
A mudança é possível – e você merece encontrá-la.
Quer Ajuda Imediata?
Grupo de Apoio Online para Borderline
Grupo Whatsapp – Psicoterapia Online
Terapia Especializada em TPB
https://psicologo-borderline.online
Compartilhe este texto – pode ajudar alguém que está lutando calado. 💬
Deixe um comentário